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Telhado do antigo quartel em ruína

Arquivo Distrital da Guarda vai reclamar obras nas partes abandonadas do imóvel ao Estado

Duas alas do antigo quartel e ex-Convento de S. Francisco, na Guarda, estão abandonadas e com o telhado em ruína. Ao longo da Praça Francisco Salgado Zenha – junto ao Jardim José de Lemos, entre a delegação da Liga de Combatentes e a entrada para o quartel da GNR, a degradação é patente nas paredes e nas janelas. Nas traseiras desse espaço (visível do TMG), o telhado está a ruir e a chaminé já teve de ser demolida por ameaçar a segurança dos militares e de quem passasse por perto.

O edifício está em vias de classificação por parte do IGESPAR (Instituto de Gestão do Património Arquitectónico), pelo que Levi Coelho, director do Arquivo Distrital da Guarda, aproveitou a vinda da secretária de Estado da Cultura, Paula Fernandes dos Santos, à cidade para a inauguração da nova biblioteca para alertar a governante para a necessidade de obras naquela ala. Ao que tudo indica, esta fracção integrará uma parede da antiga igreja conventual e é considerada «prioritária», não só pelo valor patrimonial, mas também por ser visível «de uma zona nobre da cidade», adianta Levi Coelho. Contudo, esta urgência não se aplica ao interior. «Essa terá de ser uma intervenção de fundo e dependerá da necessidade de expandir o espaço dos serviços de Arquivo», acrescenta o responsável. A zona Sul, onde o telhado está a cair, não pôde esperar. Chamada por Cunha Rasteiro, comandante da GNR da Guarda, a Protecção Civil Municipal demoliu a chaminé. «Constituía um perigo para os agentes e para os civis que tinham de vir ao quartel», justifica o oficial.

Quanto ao telhado, «não representa perigo para as instalações da GNR. As paredes estão seguras e o telhado está a ruir para dentro», esclareceu o oficial. Neste momento, as perdas são apenas patrimoniais e nem essas parecem ser relevantes. Levi Coelho acredita que a secção em causa é um acrescento do século XX – quando o edifício servia de quartel militar –, não fazendo parte da edificação original, que se crê datar da primeira metade do século XIII. «Apesar do enquadramento no todo, esta parte não tem o mesmo valor patrimonial», sustenta. Entretanto, a intervenção na fachada virada para o jardim – uma limpeza de superfície e a substituição das janelas, quase todas partidas – dependerá da disponibilidade financeira da tutela. As obras de requalificação desta ala serão reclamadas no mesmo processo, que seguirá para o Ministério da Cultura até ao final de Janeiro. Por enquanto, o director do Arquivo vai procurar orçamentos para o total da empreitada, tarefa que poderá complicar-se se o processo de classificação exigir requisitos especiais aos construtores.

Caberá depois ao Ministério da Cultura decidir se vale a pena intervencionar o edifício ou deixá-lo ao abandono. Contudo, o responsável pelo Arquivo Distrital está optimista: «É sempre um bom prenúncio quando as pessoas que tutelam os serviços se disponibilizam e interessam», refere.

Igor de Sousa Costa

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