A Guarda é o terceiro distrito onde custa mais encher o carrinho de compras. Segundo o estudo da Deco Proteste, a que O INTERIOR teve acesso, os guardenses pagam, em média, mais 17 por cento pelos mesmos produtos do que quem vive em Lisboa ou no Porto.
Os supermercados da Guarda estão entre os mais caros do país. Contas feitas, apenas Beja e Bragança têm preços mais elevados, sendo que o distrito alentejano lidera a lista depois de a fatura ter «disparado», lê-se no estudo da Deco Proteste. Os consumidores bejenses pagam, em média, mais 24 por cento que os dos grandes centros, enquanto em Bragança a diferença chega aos 19 por cento.
Os números são claros e, dependendo dos cabazes organizados – MDF (mercearia e drogaria, frescos ou combinação dos dois) ou mix (marcas fabricante e distribuidor) –, um guardense pode pagar valores superiores em cerca de 40 por cento se tivermos em atenção os mais baratos a nível nacional. Em outubro, a associação de defesa dos consumidores Deco destacava como mais barato, em termos distritais, o “Continente Modelo” da Guarda, que desta vez nem sequer faz parte da lista. «Os preços eram demasiado baixos para corresponderem à realidade», disse António Souto, coordenador do estudo a O INTERIOR. No total, foram excluídas 12 lojas nacionais: «Nunca nos tínhamos deparado com tantas e ainda por cima só de dois grupos (Sonae e Auchan)», salienta o técnico de estudos de mercado, acrescentando que «em controlos feitos à “posteriori” verificámos que os preços tinham mudado, além de que muitos eram inferiores aos praticados noutras lojas da mesma marca».
Numa lista que integra apenas supermercados do concelho sede de distrito, o estudo destaca o Pão de Açúcar (Vivaci) e o Pingo Doce (Av. S. Miguel). As duas lojas são as que praticam preços mais baixos, mas, há cerca de oito meses, elas ocupavam o terceiro e quinto lugar, respetivamente, a nível distrital. A fechar o pódio está o Minipreço (Av. S. Miguel), com um índice de 104, ou seja, valores superiores em 4 por cento aos dois já referidos. Segue-se o Minipreço (retail park), que, pertencendo ao mesmo grupo, apresenta preços mais elevados, com um índice de 105. Já com um acréscimo de 6 por cento em relação aos mais baratos do concelho surge o Intermarché (Estrada do Barracão).
O Lidl (Póvoa do Mileu) não faz parte da lista publicada no site da Deco, uma vez que não preenche os requisitos em dois dos quatro pontos. Todavia, no que toca aos frescos, a loja pratica valores 52 por cento mais caros do que o Jumbo da Amadora, considerado o mais barato a nível nacional. Por sua vez, o cabaz mix é 34 por cento mais dispendioso do que o do Pão de Açúcar de Vila Nova de Gaia e o do Intermarché de Vila Pouca de Aguiar, que lideram a lista dos mais baratos. «A posição da Guarda deve-se a uma menor concorrência, porque há menos supermercados e as marcas não variam muito», justifica António Souto. O mesmo acontece em Beja e Bragança, ao contrário de Lisboa e Porto, onde a «concorrência se faz sentir de forma mais acutilante».
Em termos de marcas nacionais, e no balanço das 581 superfícies analisadas, o Jumbo lidera em todos os cabazes, seguido do Pão de Açúcar e do Continente. Quanto às compras online, o estudo é claro: «Só em último caso». Isto porque o consumidor pode pagar mais 16 por cento (em relação aos mais baratos); curiosamente, comprar na Internet pode até ficar mais barato do que comprar na Guarda.
Continente é o mais barato na Covilhã
Na Covilhã continua a ser mais barato fazer compras no Continente do Serra Shopping, segundo a Deco. Caso a sua escolha seja o Intermarché (Avenida Infante D. Henrique), deverá gastar mais dinheiro, já que este apresenta um índice de 104, ou seja, preços quatro por cento mais elevados. Em terceiro surge o Pingo Doce (Quinta do Alvito), com um índice de 109, enquanto o Canário Supermercado fecha a lista com preços, em média, 11 por cento superiores ao Continente.
No Fundão, o mais barato é o Pingo Doce (Quinta da Areeira), seguido do Continente Modelo da Quinta de São Marcos, que tem um índice de 103. Por último, surge o Intermarché (Vale de Canas), que pratica preços cerca de 6 por cento mais elevados. Depois da Guarda, os distritos de Castelo Branco e Santarém são os mais caros, com valores 16 por cento superiores aos de Lisboa e Porto.
Sara Quelhas


