Os semanários têm nos dias de hoje um problema grave, que consiste em reunirem numa só edição todas as notícias más da semana. Enquanto o Público, por exemplo, pode dar apenas uma má notícia por dia, o Expresso tem de as concentrar todas ao sábado. A última edição foi particularmente depressiva, com notícias sobre o caso Lusoponte, sobre o caso Parque Escolar, sobre a forma como a EDP e outras empresas nos vão sugando os recursos, sobre o apodrecimento da presidência da República, sobre a seca, extrema ou severa, para artigos de opinião, além de textos vários, a retratar, em tons vários, a incompetência e a irrelevância do governo (o daqui, eleito por nós, não o verdadeiro, de Bruxelas, Paris e Berlim). Lido o quadro geral, na súmula das notícias más que o Expresso escolheu para definir a semana, apenas podemos concluir uma coisa: somos um país governado à distância por pigmeus e a desagregar-se rapidamente.
Como dizia recentemente Medina Carreira, estamos maduros para um político populista e sem escrúpulos que saiba dizer de forma convincente o que queremos ouvir. (Disse também que recebeu mensageiros do Movimento 12 de Março que o interrogaram sobre a possibilidade de uma revolução, ao que respondeu “Estão malucos, não vêem que não dinheiro? O que querem distribuir depois, dívidas?”)
Mas há outras notícias, como esta relatada numa crónica espantosa de Vasco Barreto no “I” de 19 de Março, que nos relata “a descoberta recente de que uma droga para controlar a tensão arterial diminui o racismo subconsciente em pessoas que genuinamente se definem como não racistas”. É claro que não é fácil imaginar como se terão obtido esses resultados e de onde terá surgido a ideia sequer da realização da experiência, mas não podemos deixar de sentir, como Vasco Barreto, um misto de “revolta, fascínio e desilusão”.
Outra notícia ainda, esta muito menos relatada: por todo o país sucedem-se os casos de gripe. Em qualquer lado onde esteja vejo gente a espirrar, a tossir, com os olhos brilhantes de febre – eu tenho febre e vou escrevendo esta crónica por entre espirros. Nas a notícia não é bem esta, é mais o facto de a comunicação social pouco se interessar sobre o assunto.
Por: António Ferreira


