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Sul do concelho da Covilhã livre de chamas

Trabalho desenvolvido pela Associação de Produtores Florestais do Paúl tem sido fulcral na prevenção de incêndios

Numa altura em que os incêndios assolam o país, a zona Sul do concelho da Covilhã tem conseguido manter-se fora dessa triste realidade. Para tal, muito tem contribuído o trabalho que a Associação de Produtores Florestais (APF) do Paúl tem desenvolvido ao longo de 11 anos de existência. Trata-se da primeira e única a ser distinguida com a “Bandeira Floresta Verde”, criada pelo Ministério da Agricultura, e entregue pelo ministro anterior em Janeiro último.

Limpeza de matas, replantação com espécies da região – castanheiros, cerejeiras, pseudotsugas, pinos nigra, freixos, nogueiras, pinheiros, carvalhos e outros – e controlo de fogos florestais, através de silvicultura de prevenção, são as suas principais estratégias para que, «estarmos mais tranquilos quando chega o Verão», explica António Covita, presidente daquela entidade. Algo que tem sido conseguido nas zonas abrangidas pela APF, «graças ao nosso trabalho», garante o responsável, referindo que até pode arder alguma área, mas o objectivo da sua equipa é que «arda o menos possível». E mesmo quando arde, a associação movimenta «todos» os seus meios físicos e humanos para minimizar os estragos. Um trabalho colectivo e reconhecido não só na zona de influência, como também, «e principalmente», fora dela. Ainda no mês passado a APF foi solicitada pela Protecção Civil de Castelo Branco para ajudar a combater um fogo em São Vicente da Beira ao lado dos “soldados da paz” albicastrenses. Do Paúl saíram duas equipas de sapadores e duas máquinas de rasto e «conseguimos controlá-lo», como acontece «quase sempre quando estamos presentes», refere, com orgulho, António Covita.

Apesar disso, este responsável sente-se triste pela forma como os bombeiros tratam os membros da APF, negando-lhes até mantimentos e bebidas nas horas de aperto. «Não trabalhamos todos para o mesmo?», denuncia, garantindo estar sempre disposto a disponibilizar os seus homens para onde for preciso, mas «queremos ser bem tratados».

APF intervém em 150 mil hectares de floresta

Os sapadores recebem formação durante três semanas para serem admitidos na APF. Falta apenas uma formação mais específica, relacionada com os fogos controlados, a situação «ideal» para a boa manutenção das florestas, entende o presidente da colectividade paúlense, acrescentando que também os bombeiros e, sobretudo, «os seus comandantes», deveriam ter mais formação para estas e outras situações. Duas máquinas de rasto, um tractor borracheiro, que se pode equipar com limpa-bermas, braço de retro e cortador de mato, um tractor para transporte de máquinas, uma niveladora, uma grade de discos pesada e uma cisterna de seis mil litros de água com bomba são alguns dos recursos dos 10 sapadores efectivos para limpar os mais de 150 mil hectares de área abrangida pela APF. Na altura da plantação, há cerca de 30 trabalhadores, mas «já temos pessoal certo para esses serviços», informa António Covita. A associação conta com 400 sócios – com quota anual de seis euros – que disponibilizam os seus pinhais para a APF tratar.

Apoios locais «temos zero»

Neste momento, a associação desenvolve a medida 3.4 Agris e Ruris da Direcção Regional de Agricultura da Beira Interior (DRABI), que abrange um montante superior a 400 mil euros, para apoio aos agricultores. Outro projecto é o “Life” da Serra da Estrela, destinado à conservação de habitats, com apoios comunitários vindos directamente de Bruxelas, de onde «nunca tivemos uma crítica», garante Covita. Também em acção está a medida Agro do IFADAP, que está a ser desenvolvida na zona do Barco, numa área de 20 hectares, e também em 88 hectares da Coutada. Quanto a apoios locais, «temos zero», tanto da Câmara da Covilhã, como da Junta de Freguesia do Paúl, lastima o presidente, confessando que vai buscar apoios onde pode, «mas aqueles que acarretam problemas não». Depois de receber a primeira “Bandeira Floresta Verde” do país, a APF ganhou um «novo fôlego» e deseja desenvolver outros projectos, caso da criação da primeira Zona de Intervenção Florestal (ZIF). Esta será implantada numa área que abarca o Sul do município, os concelhos limítrofes, mais Pampilhosa e Arganil. «O projecto “Life” já existe em cinco concelhos», exemplifica António Covita, que, além de presidente da APF, que movimenta cerca de um milhão de euros anuais, é também vice-presidente da Federação Nacional de Produtores Florestais.

Rita Lopes

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