P – A caminhada anual “Pequenos passos, grandes gestos” assinala o mês internacional da prevenção do cancro da mama. A extensão da Guarda do Movimento Vencer e Viver da Guarda faz um balanço positivo do evento na cidade?
R – Este ano tivemos 1.493 inscrições, o que superou todas as expetativas. No fim já nem tínhamos mais “t-shirts” e ainda havia muitas pessoas que as queriam comprar. Os objetivos da sensibilização e angariação de fundos para o doente oncológico foram plenamente atingidos. Estamos muito satisfeitas e agradecidas com tantos abraços reais e simbólicos. Só com esta solidariedade da Guarda é que continuamos a ser a melhor caminhada da região Centro.
P – A que atribui o sucesso na adesão a esta iniciativa que se realiza desde 2010?
R – Somos apenas 13 voluntárias e sem a colaboração e apoio de muitos amigos nunca conseguiríamos esta resposta. Estamos muito reconhecidas a entidades e instituições, a empresas, ao comércio local, às associações e a imensos privados. Na Guarda, as pessoas estão cada vez atentas e sensíveis à nossa causa. É muito importante o envolvimento que conseguimos na cidade e no concelho da Guarda, mas também em concelhos limítrofes. No Sabugal e em Celorico da Beira, por exemplo, tivemos uma participação muito expressiva.
P – Aconteceram mais atividades ligadas à caminhada “Pequenos Passos, Grandes Gestos” na Guarda?
R – Por iniciativa própria, dois estabelecimentos comerciais da cidade recolheram donativos a favor da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPC), unindo-se assim à caminhada. Desde há cinco anos, foi a primeira vez que aconteceu neste evento. Devo realçar que, no domingo, a Associação Recreativa, Desportiva e Cultural Quinta de Cima (Vila Fernando) organizou propositadamente uma caminhada pela causa da luta contra o cancro da mama. Nessa freguesia existem habitantes mais idosos que não puderam deslocar-se à Guarda mas não quiseram deixar de participar. Foram muito dinâmicos e até envergaram a camisola do “Pequenos passos, grandes gestos”. Além disso, num evento a anunciar brevemente, as telas pintadas por crianças e apresentadas no final da caminhada de sábado, na Praça Velha, vão reverter a favor da LPC. As três telas de testemunhos ali presentes serão os nossos cartões de visita na futura delegação e servirão de boas-vindas a quem necessitar da ajuda do Movimento Vencer e Viver da Guarda.
P – O apoio ao Movimento tem um significado especial?
R – Sem dúvida. É um sinal de esperança e significa que é possível vencer o cancro da mama quando é diagnosticado precocemente. A ideia da caminhada da Liga Portuguesa Contra o Cancro é precisamente essa: sensibilizar as mulheres para fazerem a deteção precoce da doença.
P – Ou seja, as mulheres devem estar atentas a alguns sinais para chegarem a tempo na descoberta e tratamento do cancro da mama? O que devem fazer nesse sentido?
R – Infelizmente o número de mulheres com cancro da mama tem vindo a crescer e em idades cada vez mais jovens. Logo na partida da caminhada do sábado passado deixámos a mensagem a todas as mulheres para que não deixem de comparecer ao rastreio – que está a decorrer no Centro de Saúde da Guarda até ao final de novembro – e façam consultas regulares.
P – De que forma o Movimento Vencer e Viver ajuda as mulheres com cancro da mama?
R – Além das palavras de apoio e de esperança a quem nos procura e se sente fragilizada, na extensão da Guarda, que já existe há nove anos, apoiamos na aquisição de próteses, de suportes e, sempre que necessário, damos o primeiro passo na abertura de um processo para apoio económico.
Perfil: Olga Pereira
Coordenadora da extensão da Guarda do Movimento Vencer e Viver
Idade: 64 anos
Profissão: aposentada do ensino (professora de português e francês)
Naturalidade: Guarda
Currículo: Estudou em Angola e é lá que conclui, em 1970, formou-se na Faculdade de Letras de Sá da Bandeira. Ainda lecionou durante cinco anos em Luanda. Entre 1975 e 2003 deu aulas na Escola de Santa Clara. Em Março de 2007 tornou-se voluntária no Movimento Vencer e Viver.
Passatempos: caminhar, ler e escrever
Livro: neste momento estou a reler Livro Sexto, de Sophia de Mello Breyner Andresen


