Todos os anos no Dia da Alimentação são apontados diversos dados estatísticos, como o número de obesos, números de indivíduos com fome no mundo ou descritos vários casos de pobreza extrema. Acontece que nem sempre são apontados caminhos para minimizar estes números. A pobreza no mundo é um drama social gravíssimo que tem como principais actores na sua resolução os agentes políticos. Contudo, a ciência pode ajudar, com o seu conhecimento científico, a indicar caminhos ou a apontar soluções.
Uma das áreas de investigação que pode lançar as bases para a construção desses caminhos é a nutrigenética. Trata-se de uma ciência que analisa as variações genéticas no homem que causam diferenças na resposta fenotípica às moléculas introduzidas na dieta com o objectivo de avaliar o risco e o benefício para o indivíduo de determinados componentes da dieta.
Desta forma, a nutrigenética estuda a resposta da constituição genética de cada indivíduo aos diferentes estímulos do ambiente, como a dieta. Um exemplo que retrata esta área do conhecimento é a alteração que 20 a 30 por cento da população tem na enzima que metaboliza o ácido fólico. O ácido fólico é essencial para as grávidas, pelo requer especial atenção, segundo um estudo realizado nos anos 80 nos Estados Unidos da América.
Como essas pessoas não metabolizam o ácido fólico da dieta da mesma maneira e dada a frequência dessa alteração genética na população, foi recomendado em vários países, e decidido por lei nos Estados Unidos, fortificar os cereais em ácido fólico. A introdução de uma percentagem maior do que a habitualmente ingerida quer de ácido fólico, quer de vitaminas ou de sais minerais é um conselho de peritos mundiais que consideram necessário reajustar as recomendações a nível das medidas populacionais de alimentação.
Neste sentido, a dieta do futuro baseada no DNA tem adquirido bastante importância e entusiasmo nos especialistas, uma vez que com este tipo de ‘nutrição inteligente’, em que consideramos as necessidades nutricionais e o genótipo individual, será possível revolucionar não só os conceitos da nutrição, mas todas as áreas ligadas à saúde.
Com a mapeamento do genoma o humano as potencialidades deste tipo de “personalização” de abordagem, quer seja na alimentação ou mesmo na saúde, com o medicamento inteligente, tem sido o alvo da investigação de diversas áreas, contudo poderão surgir algumas questões éticas. Será que a privacidade dos indivíduos é diminuída? Será que estamos a promover o desenvolvimento indivíduos “iguais” em detrimento de outros?
Uma coisa é certa, a dieta do futuro deverá ter em conta as pequenas, mas abundantes, diferenças genéticas existentes no genoma humano, mas há ainda um longo caminho a percorrer até se generalizarem as dietas personalizadas.
Por: António Costa
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