A Câmara de Seia está actualmente a negociar a aquisição dos edifícios de duas antigas fábricas têxteis de Loriga e Vila Cova para transformar um deles no futuro Museu Municipal dos Lanifícios e o outro num pólo. A ideia já está no terreno desde o ano passado, altura em que o município começou a adquirir em leilões diverso equipamento e maquinaria de empresas falidas no concelho.
Eduardo Brito explica que a ideia é recriar e manter a laboração de uma fábrica desde a entrada da lã até à saída do tecido. «É um projecto bastante diferente do Museu de Lanifícios da UBI e que é perfeitamente possível concretizar desde que encontremos os recursos financeiros para tal», acrescenta. «Já temos muito espólio, todo do século XX, mas falta-nos o local para o expor», confirmou o autarca, para quem ainda é muito cedo para falar no assunto. Tanto mais que as negociações de alguns edifícios, para receber os vários núcleos museológicos previstos, estão a ser «muito complicadas» por se tratar de edifícios penhorados com dívidas elevadas à Segurança Social e ao fisco. Mais fácil tem sido a aquisição de material. Ainda na última reunião do executivo camarário foi aprovada a compra de maquinaria da empresa têxtil Moura Cabral, recentemente encerrada em Loriga. Mais uma vez, o material foi licitado em hasta pública por 6.700 euros e vai juntar-se, de acordo como o autarca, ao espólio «considerável» que o município tem vindo a adquirir no âmbito da reestruturação da ex-Fisel e Vodratex. Pertença da autarquia senense é já o edifício da antiga “Fábrica do Meio”, em Alvoco da Serra.
Recorde-se que já funcionam em Seia dois dos núcleos museológicos mais visitados do país. Os museus do Brinquedo e do Pão são actualmente dois grandes motivos de atracção a uma cidade que também já está a construir o Centro de Interpretação da Serra da Estrela (CISE) e o futuro Museu Natural da Electricidade. No primeiro caso trata-se de um equipamento vocacionado para fins didácticos e pedagógicos em torno do parque natural mais antigo do país, pretendendo ainda contribuir para o aumento do turismo de natureza no concelho e região. Já o segundo projecto vai nascer na Central Hidroeléctrica da Senhora do Desterro, uma das mais antigas do país, datada de 1909. A unidade foi cedida pela Hidrocenel pelo prazo de 10 anos e vai proporcionar aos visitantes dois mundos da produção hídrica de electricidade em Portugal, integrando no mesmo perímetro o método do início do século passado e uma central moderna, completamente automatizada.
Luis Martins


