Santos Silva é o “homem forte” da Universidade da Beira Interior e foi um dos maiores impulsionadores do crescimento da instituição. Foi eleito para o lugar em 1995 depois de «uma série de anos» como vice-reitor no mandato de Passos Morgado. Encontra-se actualmente no terceiro mandato consecutivo como reitor, mas desde 1975 que vem contribuindo para o desenvolvimento da UBI.
Mal se licenciou em Engenharia Mecânica, pelo Instituto Superior Técnico (IST), em Lisboa, Santos Silva veio para a Covilhã para, em conjunto com Duarte Simões (presidente do então Instituto Politécnico da Covilhã), construírem uma «boa escola» para formar quadros técnicos para a indústria da região. «A universidade é um pouco a minha vida», sustenta, tendo em conta que já lá vão 29 anos de dedicação à instituição. «Não há nenhuma universidade que seja óptima em todas as áreas, mas nós temos áreas de referência não só nacional, mas internacional», diz Santos Silva, pois «há índices que nos põe ao lado das maiores universidades europeias». «E não tenho problemas em dizer isto, pois não vale a pena termos falsas modéstias, é a realidade», frisa o reitor.
Um estatuto que se deve sobretudo à qualificação do corpo docente. «Temos 50 por cento do corpo doutorado e estão 45 por cento em formação. O que quer dizer que a muito curto prazo teremos um salto muito mais significativo na qualificação do corpo docente», adianta Santos Silva, que foi o primeiro doutorado pela UBI. Para além disso, a universidade tem ainda infra-estruturas adequadas para a investigação e para a aprendizagem dos alunos, sendo certo que o processo de Bolonha será fundamental para a tornar «mais competitiva e produtiva». Mas para Santos Silva o crescimento e evolução da UBI deve-se essencialmente «a toda uma equipa», com destaque para «os líderes», a quem a universidade mais deve: Duarte Simões, que se encarregou da criação do politécnico, e Passos Morgado, que «soube planear o desenvolvimento da instituição» ao empenhar-se na transformação do politécnico em instituto universitário. «A instituição teve sorte em ter tido pessoas que se empenharam de alma e coração ao seu desenvolvimento», acrescenta.
Natural de Valhelhas, no concelho da Guarda, Santos Silva procurou contribuir para o desenvolvimento industrial da Guarda colaborando com o Nerga. O reitor da UBI, pese embora tenha estudado no Liceu Nacional da Guarda, nunca pensou regressar à “cidade mais alta” para dar aulas no IPG até porque «desde a primeira hora» se empenhou «na realização de trabalhos de investigação e na operação científica», o que não era possível num politécnico, justifica.
Para o reitor, a fusão entre a universidade e os politécnicos é uma questão que não tem sentido neste momento. «Primeiro, teria que haver uma definição política do que se pretende para o ensino superior em Portugal, temos que ter uma lei de bases de educação», adianta. Contudo, prefere falar na necessidade de uma «verdadeira rede de ensino superior, que rentabilizasse as capacidades instaladas e funcione em complementaridade para produzir os meios humanos qualificados que o país necessita», defende. É que «andamos, infelizmente, a duplicar, triplicar, quadruplicar formações, a pôr designações idênticas nos cursos quando o conteúdo não tem semelhanças. E o fundamental em Portugal é que se faça a formação profissionalizante. Foi para isso que os politécnicos foram criados», sublinha.


