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PS perde mais de 10 mil votos no distrito

PSD venceu com prestação semelhante à de 2004, enquanto que o Bloco de Esquerda ficou a 250 votos do CDS e atirou a CDU para quinto lugar

Se as eleições de domingo tivessem sido legislativas, os resultados do distrito ditariam que o PS perderia um deputado na Assembleia da República, ainda que por umas dezenas de votos, e que o PSD elegeria três. Os socialistas contabilizaram menos 10.649 votos do que nas europeias de 2004, tendo conseguido apenas 26,92 por cento. No distrito da Guarda, e à semelhança do que se registou a nível nacional, os sociais-democratas ganharam, mas com uma prestação idêntica à de há cinco anos. O grande vencedor acabou por ser o BE, que triplicou o número de votos, “colou-se” à terceira força política, o CDS, e ultrapassou a CDU.

Na análise aos números no distrito, o presidente da Federação do PS, José Albano Marques, recusa-se a fazer futurologia relativamente às duas próximas eleições. «Se fossem as legislativas, em todos os distritos o PS perderia deputados», constata o dirigente, ao refutar este tipo de leituras, para depois dizer que «não se podem misturar europeias com legislativas e autárquicas». Mesmo assim, os maus resultados «reflectem, digamos, o cartão vermelho ou amarelo que foi dado ao Governo de José Sócrates», avalia José Albano Marques, sublinhando que «o voto é a arma do povo». Para o dirigente “rosa”, a população do distrito seguiu «a tendência nacional», pelo que defende que nenhum líder distrital pode reclamar como sua qualquer vitória ou derrota. José Albano Marques considera mesmo que o cenário «vai ser diferente nas legislativas e nas autárquicas», mostrando-se optimista em relação a esses actos eleitorais. Até porque «o PS não vai perder, por exemplo, Seia e Guarda», dois dos seus bastiões – concelhos que nestas europeias votaram PSD.

«Estes resultados reflectem o estado de espírito da população do distrito relativamente a este Governo de arrogância», avalia, por sua vez, o presidente distrital do PSD. «Estamos absolutamente confiantes de que ganhámos a primeira volta das legislativas», declara Álvaro Amaro, também presidente da Câmara de Gouveia, para quem será agora necessário «muito trabalho» para que o partido consiga uma prestação idêntica nas próximas eleições, através da elaboração de «propostas que apresentem soluções para os problemas que afectam as populações». Instado a comentar o facto da vitória social-democrata no distrito ter sido conseguida com números muito idênticos aos de 2004 – ano em que o partido disputou as eleições coligado com o CDS-PP -, com somente mais 936 votos, Álvaro Amaro diz apenas que «todos os partidos esperam sempre mais».

Bloco de Esquerda, o partido “sensação”

Já no BE, o partido “sensação” destas eleições, o líder distrital, Jorge Noutel, é contido na análise aos resultados e naquilo que poderá ser a prestação do partido nos sufrágios seguintes. Os bloquistas conseguiram 5.021 votos, apenas menos 250 votos que o CDS, enquanto que em 2004 contabilizaram 1.608. Este último número constitui, de resto, o resultado que o BE alcançou só no concelho da Guarda nestas eleições para o Parlamento Europeu – resultado que, em cenário de autárquicas, seria suficiente para conseguir eleger um vereador na Câmara da Guarda. Isso «seria excelente», considera Jorge Noutel, acrescentando, no entanto, que «as europeias não se podem comparar às autárquicas». No CDS-PP, o terceiro partido mais votado no distrito, o discurso de Isabel Metello aproxima-se do dos dirigentes nacionais. «Tendo em conta que as sondagens (a nível nacional) apontavam para 2 a 4 por cento, o resultado foi fantástico», afirma a centrista.

No que toca aos números conseguidos no distrito, 5.251 votos e 8,3 por cento, Isabel Metello constata que foi a melhor votação do partido desde 1983. O CDS «tem conseguido nos últimos anos entre 4 a 5 por cento», o que, para a dirigente, é «elucidativo da dimensão da vitória» dos centristas. «Todo o CDS pensa que isto terá sido a primeira volta das legislativas», afirma ainda. Do lado da CDU, que obteve mais 1.296 votos do que em 2004, fala-se em «resultados muito positivos», uma vez que «duplicaram os votos nos concelhos de Aguiar da Beira, Pinhel, Trancoso, Vila Nova de Foz Côa», refere o partido em comunicado. «Tal como os resultados nacionais, os do distrito constituem um grande resultado para a CDU, dos maiores em eleições europeias onde se alcançam mais votos e maior percentagem», salientam os comunistas, constituindo um «cartão vermelho mostrado ao Governo e ao PS pelo eleitorado». Trata-se de «um grande incentivo à luta pela ruptura com esta política, um estímulo importante para as batalhas eleitorais que se aproximam», lê-se ainda no comunicado.

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