A Federação do PS da Guarda considera «despropositada, demagógica e despesista» a possibilidade da Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela vir a ter três secretários executivos, em vez dos dois inicialmente propostos, naquela que seria uma forma de “contornar” as dificuldades para se chegar a uma lista de consenso. O presidente da CIM admitiu a O INTERIOR que «todas as hipóteses foram ventiladas» nas duas reuniões realizadas após o chumbo da Assembleia Intermunicipal, mas garante que «nenhuma deliberação» foi ainda tomada.
Num comunicado assinado pelo seu presidente, a Federação do PS da Guarda diz estar «atenta» ao desenvolvimento do processo de eleição do secretariado executivo da CIM e «congratula-se» com a deliberação tomada na primeira reunião do Conselho Intermunicipal de que o órgão fosse constituído por dois elementos, sendo cada um indicado pelos presidentes eleitos pelas forças partidárias representadas, PS e PSD. No documento, José Albano Marques sustenta que a Federação socialista considera que o Conselho Intermunicipal aprovou a primeira lista a submeter à votação da Assembleia Intermunicipal, que contemplava os nomes de António Ruas (PSD) e Jorge Brito (PS) de «forma justa e transparente». Contudo, após o antigo vereador na Câmara de Seia ter manifestado indisponibilidade para ocupar o lugar, o PS garante ter sido «surpreendida» com a aprovação pelo Conselho Intermunicipal «de uma nova lista de candidatos a membros do secretariado executivo, composta apenas por dois elementos do PSD, contrariando o princípio da representatividade unanimemente aceite e inicialmente adotado».
Foi esta lista, que contemplava os nomes de António Ruas, ex-presidente da Câmara de Pinhel eleito pelo PSD, e de José Gomes, antigo vereador do PSD na Câmara da Guarda, que foi chumbada em março pela Assembleia Intermunicipal, de que José Albano Marques faz parte. Nesse sentido, a Federação socialista considera «despropositada, demagógica e despesista a proposta veiculada na reunião do Conselho Intermunicipal de 25 de março» para que o secretariado executivo «passasse a ser constituído por três elementos, indicando para o efeito a mesma lista que foi rejeitada pela Assembleia Intermunicipal e sugerindo que os presidentes de Câmara eleitos pelo PS indicassem um terceiro elemento». «Em nome dos valores democráticos, da ética e do bom senso», os socialistas da Guarda apelam a todos os elementos do Conselho Intermunicipal, «mormente aos eleitos pelo PSD, para que os princípios inicialmente acordados, relativos à representatividade e à contenção de custos, sejam mantidos e que a nova lista ao secretariado executivo contemple apenas dois nomes, indicados por cada uma das forças políticas, sob pena de se atrasar todo o trabalho que urge desenvolver a bem das populações da região». A Federação do PS da Guarda indica ter apelado às estruturas distritais do PSD e do PS da «Guarda e Castelo Branco» para que se empenhem «na busca da solução que defendemos», mas «até ao momento» continua a aguardar resposta.
Contactado por O INTERIOR, o também socialista Vítor Pereira reconheceu a O INTERIOR que «todas as hipóteses foram ventiladas, mas não houve nenhuma deliberação em qualquer sentido». O presidente da CIM das Beiras e Serra da Estrela reafirma que o importante é que seja encontrada uma «solução produtiva, consensual e que defenda os interesses da Comunidade». O também autarca da Covilhã defende que «estas questões não devem ser vistas a preto e branco e devemos evitar a partidarização». A próxima reunião do Conselho Intermunicipal deverá realizar-se a 13 de maio na Guarda.
Ricardo Cordeiro



