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Proventos por peça

Bilhete Postal

Digo-te já Jorge Aurélio que me fiz rico com o pagamento ao acto. Nos últimos anos inundei a estrada de óleo, pulverizei de produtos maléficos e tóxicos as zonas de captação e tem sido um fartar vilanagem. Nunca tive tantos clientes. Uma curva da estrada para mim é uma mina. Levo um carro que goteje de óleo à curva; Eles andam doidos, perdem o controle e zás – clientes pagos à peça, e ás vezes clientes em peças.

Antes era um revoltado de 12 euros por hora, mas hoje posso chegar aos 1.800 euros por peça. Imagina três peças por hora. O Campos mudou a minha vida e deu-me alento.

O pagamento por peça, ou por acto, diferencia quem trabalha e isso é louvável. Eu assino as folhas dos meus colaboradores ó Jorge Aurélio, e ganho mais que nunca. Hoje o controlo sobre a fraude é nenhum e por isso tenho várias minas por mim. Os putos refilam, mas eu arranjo o trabalho. Ajustei as indicações, liberalizei as adequações, dei um empurrão com as armadilhas, retiro um pouco ao trabalho dos inexperientes e subordinados, e concretizo, ou facturo muito bem. Tinha esta capacidade dentro de mim, era um gestor apagado, mas chegou a hora. Aumentei a produção e pus deslumbrados os administradores. Hoje temos muito mais produção.

Jorge Aurélio atónito a ouvir a conversa, Jorge Aurélio incrédulo e enjoado com este repasto pergunta – olha lá Férrer, tu não és médico?

Por: Diogo Cabrita

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