Numa altura em que a Universidade da Beira Interior (UBI) comemora (amanhã) 18 anos de existência, “O Interior” foi falar com alguns professores naturais do distrito da Guarda que estiveram empenhados, desde o início, no crescimento e desenvolvimento da instituição.
Muitos trocaram as melhores instituições do país e da Europa em prol da UBI. Afinal, trata-se de uma universidade sediada na região onde cresceram e frequentaram os primeiros anos de escolaridade. Mas para além das razões familiares e sentimentais, todos salientam a importância da UBI no contexto nacional e europeu, sendo já uma «universidade de referência em certas áreas de ensino», garantem os entrevistados. Ao longo de 18 anos, a universidade soube implantar-se e «crescer solidamente», atraindo para o interior do país centenas de estudantes de todo o território nacional, frequentando actualmente a UBI 80 por cento de deslocados. Um crescimento de que é impossível dissociar o envolvimento de professores naturais do distrito da Guarda, a começar pelo primeiro reitor da UBI, Passos Morgado. 18 anos após a criação da universidade, o corpo da reitoria é praticamente “dominado” por guardenses. É o caso do reitor Santos Silva, dos vice-reitores Luís Carrilho e João Queiróz, e dos pró-reitores José Carlos Venâncio e Helena Ferreira.
“O Interior” falou com dez professores do distrito da Guarda, mas há muitos mais professores e funcionários originários da “cidade mais alta”. Uma afluência que se deve, segundo alguns dos entrevistados, à grande tradição da Guarda em formar professores e ao facto da Covilhã ser na altura uma cidade predominantemente industrial. Já na Guarda, dominava a agricultura e havia também muita emigração, pelo que a aposta essencial foi a formação escolar dos filhos. Mas passados estes anos, a “massa crítica” que poderia ser essencial para o desenvolvimento do Politécnico da Guarda prefere dar aulas na universidade, pois a carreira é, acima de tudo, «mais estimulante» profissional e financeiramente. O objectivo deste trabalho não foi realçar o domínio dos docentes provenientes da Guarda, mas a sua opinião acerca do ensino superior da região e do relacionamento entre as três instituições. Todos concordam na necessidade de uma complementaridade entre a UBI e os politécnicos da Guarda e de Castelo Branco para maximizar recursos e poupar esforços. Mas divergem quanto às vantagens de uma fusão entre as três instituições. Se para alguns seria a oportunidade de constituir a «grande universidade da Beira Interior», para outros essa junção não faz qualquer sentido por se tratar de ensinos diferentes.
Liliana Correia


