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Procurar novos caminhos

Editorial – Jornal das Empresas

Os concelhos da região sem capacidade de gerar trabalho e riqueza continuam a sangrar com a emigração. Depois da partida para as colónias (nomeadamente para Angola), para o Brasil e para “as américas”, os portugueses, e em especial os naturais da região, partiram nos anos 60 para a Europa. As nossas aldeias esvaziaram-se e transformaram-se: as suas gentes partiram e depois trouxeram uma arquitetura marcadamente francesa ou suíça…

Cinquenta anos depois, as nossas aldeias têm o derradeiro esvaziamento. Quando alguns tinham esperança de que entre políticas de desenvolvimento regional (com muito dinheiro europeu) e investimento em infraestruturas essenciais seria possível dar uma nova vida ao interior, a crise e a falta de opções obriga os últimos resistentes a partirem. A França, a Suíça, o Luxemburgo, etc., voltam a ser a esperança de futuro para muitas pessoas que há bem pouco tempo acreditavam singrar na própria terra.

Entre 2011 e 2013 terão emigrado entre 150 e 200 mil portugueses.

Mas não é só a emigração que determina a desertificação final dos nossos territórios. Em 2013 nasceram no país apenas 82.787. E houve menos 23.756 nascimentos do que mortes. No ano anterior já tinha havido menos 17.771 nascimentos do que óbitos. Em jeito de balanço, só entre 2011 e 2013 Portugal “perdeu” 47.519 habitantes – em apenas três anos!

A falta de políticas de natalidade, de apoio à família, a austeridade e as dificuldades financeiras acrescidas para quem tem filhos é um problema geral para o país, mas é um problema insolúvel para a região. Mesmo os concelhos que têm optado, e bem, por políticas de apoio à família dificilmente podem contrariar a situação de crise, desemprego e pobreza. São precisas mais políticas sociais e são urgentes mais políticas de natalidade, não apenas porque depois não haverá quem pague as reformas a quem agora trabalha, mas porque só com muita habilidade política e muito apoio à família poderá haver novas gerações para habitar as nossas vilas e aldeias, cuja desertificação foi um processo longo e contínuo, mas razoavelmente lento… agora será muito mais rápido: em poucos anos a maioria das nossas aldeias vai desaparecer e muitas vilas serão arrasadas. É urgente mais imaginação para suster a sangria e suster a desertificação do território. Apostar nas energias renováveis e aproveitar todos os recursos naturais, patrimoniais e produtos endógenos tem sido uma opção, mas temos de encontrar outras.

Luís Baptista-Martins

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