A capacidade de solvência de Portugal volta a estar na ordem do dia perante a possibilidade de incumprimento da Grécia e um hipotético cenário de saída da zona euro.
Caso a conjuntura internacional precipite uma crise de acesso aos mercados de financiamento, Passos Coelho garante que os «cofres cheios» de Portugal aguentam até ao segundo semestre do próximo ano.
«A almofada financeira que foi preparada pelo Tesouro português coloca-nos numa situação em que não há risco em relação a qualquer pagamento que tenhamos de fazer até meados de 2016», disse o primeiro-ministro em entrevista à agência Reuters.
A ida aos mercados nos últimos meses, proporcionada pela iminência e depois concretização da entrada do BCE na compra de dívida soberana, permitiu ao Tesouro português financiar-se a baixos custos, chegando no caso das maturidades mais curtas a emitir mesmo dívida a juros negativos pela primeira vez. A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, chegou mesmo a referir-se a esta situação de financiamento há dois meses, considerando que Portugal tem «os cofres cheios», o que reafirmou há dois dias.
«O que nos dá tranquilidade é que de facto, e apesar de não ter sido bem interpretada, temos os cofres cheios. É certo que é valor de dívida mas é essa almofada financeira que nos permite hoje enfrentar, do ponto de vista do financiamento do tesouro português, algum desenvolvimento mais desfavorável do mercado, seja este ou outro que possa ocorrer», afirmou o primeiro-ministro esta semana após a reunião do Eurogrupo.
A capacidade de solvência de Portugal – e de países intervencionados como Irlanda ou que tiveram programas de assistência ao sector financeiro como Espanha – volta a estar na ordem do dia perante a possibilidade de incumprimento da Grécia e um hipotético cenário de saída da zona euro.
Passos Coelho defende na mesma entrevista que a resposta à Grécia tem de ser conjunta e que os países que estiveram em dificuldades no pico da crise do euro – como Portugal, Espanha, Itália ou Irlanda – estão agora mais reforçados.
«Será impensável se, na zona monetária, não houver uma resposta comum a esta situação. (…) Tal resposta precisa de ser preparada pelos bancos centrais e pelo BCE», acrescentou. Atenas precisa de desbloquear financiamento para poder reembolsar, até dia 30 de Junho, os 1.600 milhões de euros ao FMI que vencem nesse dia. O acesso a financiamento está dependente do compromisso do governo de Alexis Tsipras com um programa de reformas, que ainda não foi possível alcançar.



