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Primeira empreitada da modernização da Linha da Beira Alta a concurso

Trabalhos no troço Guarda-Cerdeira deverão arrancar em julho de 2019, alguns meses antes da conclusão da reabilitação da ligação entre a Covilhã e a Guarda, na Linha da Beira Baixa, estimada para setembro desse ano.

A modernização da Linha da Beira Alta vai começar pelo troço de 14 quilómetros entre a Guarda e a Cerdeira, no concelho do Sabugal, cuja requalificação integral custará 11 milhões de euros. O respetivo concurso público foi aberto na segunda-feira, numa cerimónia realizada na estação ferroviária da Guarda que contou com a presença do ministro do Planeamento e das Infraestruturas Pedro Marques.

A obra tem um prazo de execução de dez meses e consistirá na renovação total da via e na supressão de todas as passagens de nível, entre outros trabalhos. A Infraestruturas de Portugal (IP) estima que a empreitada possa começar no prazo de um ano. «Este é um troço prioritário porque vai permitir que o tráfego de mercadorias possa sair para Espanha quando o grosso da modernização da Linha da Beira Alta estiver no terreno», disse Carlos Fernandes, vice-presidente da IP, que destacou o facto desta ser uma empreitada «pequena mas relevante porque assinala o início da modernização da Linha da Beira Alta». Uma opinião partilhada por Álvaro Amaro, autarca da Guarda, que voltou a sublinhar que a cidade está perante «o seu maior desafio das próximas décadas em termos de desenvolvimento» com a modernização desta ferrovia, que contempla a criação de um terminal rodo-ferroviária e a concordância das linhas da Beira Alta e da Beira Baixa. «Após a conclusão desta plataforma e da modernização das vias resultará um desafio para a economia da região, porque é da criação de emprego que estamos a falar», afirmou o presidente da Câmara. Na sessão Álvaro Amaro anunciou que há, «pelo menos», dois candidatos interessados na gestão e exploração do futuro terminal guardense.

Por sua vez, o ministro do Planeamento e das Infraestruturas referiu que a modernização destas duas linhas é uma «enorme oportunidade para o desenvolvimento da região das Beiras». Pedro Marques acrescentou que o Governo vai continuar com «o investimento público criterioso, com obras concretas no terreno. Passámos a fase dos estudos, a fase dos projetos, o que demorou cerca de dois anos, agora estamos na fase da obra, do investimento público reprodutivo, daquele que traz mais economia às nossas regiões, sobretudo do interior», afirmou o governante, para quem a Guarda tem «um potencial de desenvolvimento muito grande» com esta renovação da ferrovia. Na segunda-feira foi também lançado o concurso público para sinalização da rede ferroviária nacional, com um valor global de 63 milhões de euros.

Antes da Guarda, Pedro Marques visitou as obras de modernização do último troço da Linha da Beira Baixa, entre a Covilhã e a Guarda, que está desativado desde março de 2009. «Com esta empreitada, retomando o funcionamento da linha em toda a sua extensão e com a concordância das Beiras na Guarda – que permite que a Linha da Beira Baixa tenha comboios diretos para Espanha e de Espanha para a Beira Baixa – é todo um potencial de desenvolvimento da região que se concretiza», afirmou, na Covilhã. Na ocasião, o ministro assistiu à desmontagem de uma das pontes que será intervencionada no âmbito desta requalificação e garantiu que, «depois de uma década de expectativas defraudadas», a ligação entre as duas cidades reabrirá em 2019. «A nossa previsão, neste momento, é que esta que é uma das mais importantes obras do Plano Ferrovia 2020 esteja concluída em setembro de 2019. Depois haverá uma fase de testes e de certificação para funcionamento, mas nos meses seguintes estará em operação plena», declarou Pedro Marques. Estas obras representam um investimento total de cerca de 77 milhões de euros, 52 milhões dos quais respeitantes à obra física, que engloba a renovação integral de 36 dos 46 quilómetros do troço (dez já estão intervencionados), bem como a reabilitação de seis pontes centenárias, a remodelação de estações e apeadeiros, drenagem e estabilização de taludes e a iluminação e automatização e supressão de passagens de nível.

Luis Martins A Guarda tem «um potencial de desenvolvimento muito grande» com a renovação da ferrovia, disse o ministro Pedro Marques

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