Neste período de encontros, desencontros, de meias verdades e meias mentiras, de apresentações de velhos e novos figurantes e ainda daqueles que se colocam em bicos de pés à espera de desfilarem na passerelle das vaidades, rendidos que estão às luzes da ribalta, vamos dando conta que o processo “far west” contradiz todo o pensamento de Kant, onde o imperativo ético é quase sempre uma constante.
Antístenes, como todos sabemos, foi fundador da Escola Cínica e muitos cínicos deste tempo, ao que parece, fizeram o curso ministrado por esse discípulo menor: uns opinando, outros fazendo de pretensos educadores, outros politicando e ainda outros, calados que nem ratos, nessa espécie de espera calculada, que visa, única e exclusivamente, a chegada ao poder.
No revés da medalha, Platão, sempre se moveu pela prática do bem, sempre recusou a fuga da prisão e do exílio e nem os conselhos de Criton foram capazes de o demover da forte convicção em que assentava o pensamento e determinava a ação.
Sou, por princípio, um fiel defensor da liberdade de imprensa e o que me espanta verdadeiramente é a política espetáculo que aporta consigo uma agressividade sem limites. Sexo (quase) ao vivo, violações (quase) em direto, facadas (quase) no momento, acidentes (quase) a acontecerem, misturando-se inúmeros políticos a fazerem jornalismo e uns quantos jornalistas a fazerem política, numa inversão de valores onde a ética e a moral são completamente desprezadas nessa aposta da audiência e lucro, do chamado vale tudo.
Claude-Jean Bertrand, na “Deontologia dos Media”, sustenta a tese que o jornalismo atual deve ser menos negativo, recusando aquilo que é mal-estar, calamidade e até corrupção (sem os ignorar), optando por transmitir aspetos positivos da realidade, explorando acontecimentos, quiçá menos interessantes, os quais, se aprofundados, captam a atenção do destinatário, numa troca de armas consideradas infalíveis para garantir audiências e vendas: crime, sexo, escândalo e corrupção.
Li, com muito interesse, a crónica de José Carlos Lopes n’O INTERIOR. Não é meu hábito comentar a análise de colegas. No entanto, quando se abraça um projeto político deve-se ter em conta a ciência moral definida por Cícero, sabendo distinguir o tempo mediático do tempo político (o que o José Carlos fez), pese embora o jornalista deva narrar os factos com imparcialidade, enquanto o cronista tem de analisá-los, organizando a sua própria crónica, dando a sua visão do evento, obrigando-se a mostrar e demonstrar a relação entre factos e pessoas, não ficando refém de uma imparcialidade, a que efetivamente não está sujeito.
Neste tempo pré-eleitoral torna-se necessário e imperioso que a imprensa atue de forma responsável, mesmo sabendo das conhecidas pressões, a que se somam motivações de alguns, onde parece vir ao de cima alguns interesses e a simpatia partidária. Rigor, neste tempo, é absolutamente necessário. Assim garantidamente ganham as organizações, os partidos, a imprensa, a democracia, o país. Resumindo e concluído: Ganhamos todos.
Por: Albino Bárbara


