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Por um carro português

Saliências

A patente é uma forma extraordinária de riqueza. Depois da herança, do casamento e do roubo deve ser a mais comum forma de se tornar milionário. Uma patente significa o registo de uma ideia nova. O clips, os punaisis e os zips. A gillete, a bic, a coca cola, a barra mars. Tudo são patentes associadas a fortunas incalculáveis. Ter uma ideia e com ela mudar o mundo é exemplo o telemóvel, a consola, o computador, a lâmpada, a Internet. Este é o território da excelência do pensamento. Este é o mundo da mais ampla criatividade. O homem aproxima-se de Deus pois imagina, conceptualiza e produz um objecto novo, uma estrutura antes impossível, antes inimaginável. Um carro, uma bola, uma esferográfica, um lego, um yo-yo, um cubo mágico. Há tantas patentes que são conceitos lucrativos. A patente é o mecanismo legal de não nos roubarem a ideia nova. É no campo dos conceitos que devíamos estar a investir. Um país que produz muitas ideias novas e as converte em objectos úteis e indispensáveis lucra e engrandece. O território da imaginação é um espaço de rasgos intelectuais. Para haver ideias têm de fervilhar mentes, de se estimular raciocínios, de se incutir dúvidas. A primeira função da ciência devia ser colocar perguntas, impor questões, apresentar dúvidas, por em causa aquilo que se está a ensinar. Portugal deve lançar programas de excelência com vista a ter patentes, desenvolver e vender produtos que nos saíram da cabeça e se tornam úteis, interessantes e depois se entranham. Um carro muito barato. Um carro que quem ganha 80 contos pudesse comprar e trocar sem se endividar. Imaginem um carro prático para as cidades. Onde a mãe leva o filho, não poluente, seguro, higiénico, descartável. Um carro para as voltas da cidade e impraticável nas grandes estradas. Ele virá e deveria ser nosso antes dos outros. O nosso “lusitano” coupé, cabrio, GT e outros atributos.

Por: Diogo Cabrita

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