A Câmara da Covilhã suspendeu o processo que opõe a autarquia e familiares de Santos Silva, atual presidente da Assembleia Municipal (AM), por causa de um terreno no Canhoso. «Estamos a aguardar o relatório da perícia judicial», justifica Vítor Pereira, presidente do município.
Em causa está o processo que remonta a 2007 e envolve Maria Silva e Rosa Cruz – respetivamente, esposa e cunhada do antigo reitor da UBI. Em 2013, o Tribunal da Covilhã já tinha condenado as duas particulares ao pagamento de 264.967 euros (cerca de 75 mil euros só em juros) por incumprimento contratual na entrega de um terreno no Canhoso para a sede da Junta de Freguesia e como contrapartida pela realização de um loteamento. Inconformadas com a sentença, já confirmada pelo Tribunal da Relação de Coimbra, as familiares de Santos Silva já recorreram para o Supremo Tribunal de Justiça. No início do mês, o Movimento Acreditar Covilhã, através de Paulo Tourais, que lidera a bancada do MAC na Assembleia Municipal, apresentou um requerimento para que, na reunião daquele órgão municipal do passado dia 9, fossem prestados esclarecimentos sobre o caso.
Como o presidente da AM da Covilhã não participou na sessão por estar em Lisboa a tratar de assuntos da UBI, quem respondeu às questões do MAC foi o presidente da Câmara. Vítor Pereira começou por afirmar que o município «nunca sairá lesado» porque vai deixar o processo seguir «o seu curso normal» caso não haja acordo com as familiares de Santos Silva, tendo acrescentado que os juros devidos «continuam a ser contabilizados». O presidente da Câmara desvalorizou ainda a intervenção do MAC, considerando que «o requerimento não passa de uma manobra de diversão», mas Paulo Tourais garante que o seu objetivo «foi atingido por travar o procedimento e obrigar a Câmara a maior transparência no processo».
Contudo, o deputado municipal do Movimento acrescenta que Vítor Pereira «nunca poderá dizer que o valor será justo se trocar a dívida por um terreno que, hoje, a Câmara não consegue vender», pois, «não há nenhum terreno para construção que valha 432 mil euros», adianta Paulo Tourais, segundo o qual o MAC vai continuar «a fiscalizar o trabalho da autarquia e não dará tréguas».


