MERCEARIA POLÍTICA. Conhecem-se desde a semana passada os candidatos a deputados pela Assembleia da República. Nada de novo. Mais do mesmo. Os cabeças de lista pelo distrito da Guarda são exactamente os mesmos de há três anos. Diga-se em abono da verdade que o caso da Guarda reflecte transparentemente o panorama nacional.
O PS de Sócrates, o tal das famigeradas “Novas Fronteiras” – quando o que o país precisa é de soluções para as “velhas fronteiras”: a falta de produtividade, de competitividade, a ineficácia e o desperdício do Estado, a justiça, a administração pública, etc. –, mostrou a sua total incapacidade de renovação. Limitou-se a repescar “a tralha guterrista” e, para dar uns pozinhos de novidade, convidou a independente Matilde Sousa Franco para Coimbra, cujo único mérito político que se lhe conhece é o de ser a viúva de quem é. Na Guarda não se fugiu à fórmula geral do partido. A renovação é personificada por uma tal Rita Miguel (terceira da lista), cujo único mérito político que se lhe conhece é o de ser nora de Maria do Carmo Borges. É vergonhoso. De resto, lá estão os mesmos de há dois anos, Pina Moura e Fernando Cabral, e uma série de gente que não se distingue por coisa nenhuma – pelos vistos, é este o principal requisito para fazer parte de uma lista deste tipo.
O PSD tem Ana Manso como cabeça de lista e o Conselho Nacional, para não variar, impôs mais um pára-quedista, de nome Miguel Frasquilho, como número dois. Este senhor é co-autor do famoso “choque fiscal”, a grande bandeira de Barroso na última campanha e que nunca passou do papel. O resto da lista é o aparelho em força. Líderes de concelhias (Guarda, Seia, Pinhel) e, novidade, o jovem Fernando Lopes da JSD distrital foi despromovido – vá lá, desta vez a líder laranja pôs o moçoilo na ordem.
Comentários? Poucos. A degradação da classe política acentua-se de forma acelerada e notória. A “renovação” faz-se com gente sem qualidades visíveis e de secundaríssimo plano. É o vazio. Total. Em relação ao que realmente importa, as propostas, os projectos, os digníssimos candidatos já nem se dão à maçada de fingir que os têm – querem todos discriminação positiva para a região (eles e todas as pessoas que ainda cá vivem) e, claro, querem as SCUT, o que só prova que são todos feitos da mesma massa: a demagogia A única coisa que os parece mover é assegurar os tachos.
Mas, bem vistas as coisas, que mais podíamos esperar ou pedir desta gente? A actividade dos deputados resume-se no essencial a levantar ou a baixar o braço conforme as ordens do chefe. E para isso basta abdicar de pensar pela própria cabeça. Moral da história: para o efeito estes servem perfeitamente.
É ESTE ANO? O desenvolvimento é uma questão de velocidade. Na sua habitual lucidez, o Prof. Pulido Valente explicava a semana passada que, aos soluços, a civilização chega cá sempre. Electricidade, saneamento, comboios, auto-estradas, DVD, etc. Às vezes, demora mais um bocado, mas chega sempre. É precisamente esse hiato de tempo que nos separa do mundo civilizado e desenvolvido. No interior, digamos que as coisas demoram ainda mais um bocadinho a chegar. Polis, plataforma logística, hospital novo, sala de espectáculos, biblioteca municipal, parques de estacionamento, espaços pedonais também hão-de chegar um dia à Guarda. Pode ser já para o ano ou só daqui a cem. Mas, se Deus quiser, hão-de chegar. Esperemos é que não cheguem tarde de mais. Ou seja, quando já cá não houver ninguém para as poder desfrutar.
Por: José Carlos Alexandre


