Finais de 2005 é a data apontada para a conclusão e aprovação do Plano Estratégico do Vale Glaciar da Serra da Estrela, que está a ser elaborado pela equipa da UBI responsável pelo PETUR – Plano Estratégico de Turismo da Serra da Estrela. Pedro Guedes de Carvalho, o coordenador, adianta estar-se já na fase de discussão das «vantagens e virtudes» da candidatura daquela zona a Património Natural da UNESCO.
Tudo parecia simples e rápido quando surgiu essa possibilidade, única na região, mas a realidade foi outra. «Na altura eram apenas suposições, não havia nenhum estudo concreto» que garantisse que o vale reunia todas as condições impostas pela entidade classificadora, diz o economista. O que levou a principal promotora do projecto, a Câmara de Manteigas, a rever todo o processo, tendo sido mesmo obrigada a fazer um plano estratégico para todo o Vale Glaciar, que engloba um estudo aprofundado da área, inquéritos à população e estudos de viabilidade económica e turística. Em causa está o facto da UNESCO colocar «muitas» restrições, o que obriga a que tudo seja feito «pormenorizadamente», refere Pedro Guedes de Carvalho, adiantando que existem outros estudos para completar a candidatura. Mais importante é saber que o Vale Glaciar «reúne condições» para poder ser classificado como Património Natural da Humanidade, mas «tudo depende do trabalho da Câmara de Manteigas», assegura o professor universitário, à qual compete fazer o estudo pormenorizado e documentado da zona e avaliar «todos» os condicionantes impostos.
É o caso da proibição de novas construções, o impedimento de fazer obras para alterar o que existe, porque «como está, pode ser considerado, mas se se mexer pode falhar», e ainda as implicações ao nível do uso das casas dos pastores localizadas naquele vale. Trata-se de restrições do ponto de vista urbanístico que poderão interditar o uso mínimo de cimento naquelas construções tradicionais. As regras da UNESCO podem, inclusive, levar à retirada de alguma infraestrutura que não esteja a ser utilizada, refere Pedro Guedes de Carvalho, frisando que a autarquia de Manteigas tem que «ouvir a população para saber se está interessada». O objectivo concreto desta candidatura de «grande envergadura» é «muito positivo», porque atrairá público internacional, salienta o coordenador do PETUR, para quem a classificação do Vale Glaciar trará um «valor acrescentado» à Serra da Estrela. Sobretudo porque, em termos de beleza e grandeza natural, «não há muito, em termos nacionais e internacionais», garante. Além de que seria «estratégico» para o turismo que «tanto precisa de crescer» na zona serrana, atraindo um tipo de visitante diferente, «que admira a montanha e as suas principais valências ao nível da flora e dos ecossistemas», adianta o economista. No entanto, apesar do PETUR ser responsável pela elaboração do Plano Estratégico, todas as acções de candidatura deverão ser assumidas pelas câmaras envolvidas. «Cabe-nos apenas fundamentar, porque achamos que é estratégico com os técnicos e as entidades que consultámos», conclui Pedro Guedes de Carvalho, considerando que o vale tem «todas as condições» para ser Património Natural da Humanidade.
Rita Lopes


