A Polícia Judiciária (PJ) está a investigar se há “curadores” portugueses no jogo “Baleia Azul”, através de investigação dos telemóveis que receberam esse tipo de mensagens.
Apesar das ameaças serem feitas em português, podem estar a ser enviadas de outros países, como adianta a “Diário de Notícias” na edição desta quinta-feira.
«O jogo faz lembrar um processo de radicalização. É manipulação pura. Faz lembrar os pedófilos na internet que colecionam imagens de crianças. São indivíduos anormais que pegam nesta informação, num conjunto de tarefas a que chamam desafios, com ameaças, que faz que os alvos se sintam na obrigação de cumprir os ditos desafios», diz ao DN Carlos Cabreiro, diretor da Unidade Nacional do Crime Informático (unc3t).
Os quatro casos conhecidos até hoje estão a ser investigados tanto pela unc3t como pelas várias seções da PJ de Setúbal, Portalegre, Faro e Porto. As autoridades deixam o aviso de que nenhuma das ameaças feitas pelos “curadores” aos “jogadores” foram concretizadas até hoje. O Ministério Público informou na terça-feira que já abriu três inquéritos relacionadas com a prática do Baleia Azul.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) esclarece que o MP está «atento à situação e, no âmbito dos inquéritos, não deixará de ponderar todas as medidas processuais adequadas previstas na lei do cibercrime, incluindo a de bloqueio de links [hiperligações]».
O diretor da unc3t admite que seria «desejável» bloquear este tipo de conteúdo “online”, mas admite a dificuldade técnica em fazê-lo porque as tarefas do “jogo” são partilhadas «nos perfis mais inócuos e normais que existem» nas redes sociais.
O “Baleia Azul”, que nasceu na Rússia e no Brasil e já chegou a Portugal, incita, através da internet, jovens à automutilação e ao suicídio. O “jogo” consiste na atribuição de 50 tarefas, entre as quais «corte o braço com uma lâmina» ou «fure a mão com uma agulha». A última tarefa é o suicídio. A PSP aconselha os pais a «manterem-se informados relativamente ao jogo e a alertar crianças e jovens para as suas implicações», bem como a aumentarem a supervisão das atividades dos filhos na internet.
Se precisa de ajuda ou tem dúvidas sobre este tipo de problemas, contacte um médico especialista ou um dos vários serviços e linhas de apoio (gratuitas), como a Saúde 24 (808 24 24 24), o SOS Criança (116 111), a Linha Jovem (800 208 020) ou o S.O.S. Adolescente (800 202 484).


