Arquivo

PJ indicia dez jovens no caso dos gangues

Seis são suspeitos de agressão «bárbara e selvática» a três indivíduos, enquanto os restantes quatro são queixosos

A Polícia Judiciária constituiu dez arguidos, com idades entre os 18 e 25 anos, no caso dos gangues que agitaram a noite da Guarda no Verão do ano passado e que O INTERIOR noticiou em primeira mão. A investigação terminou há poucas semanas, tendo o inquérito sido remetido ao Ministério Público com proposta de dedução de acusação.

Segundo a PJ, seis dos arguidos, que pertencem a um grupo de jovens, são suspeitos de terem agredido três indivíduos «de forma bárbara e selvática», agressão da qual resultaram uma perna e dois braços partidos. Os restantes quatro indiciados da prática do crime de ofensas à integridade física são queixosos «que acabaram também por ser arguidos, fruto de uma queixa apresentada pelos elementos do grupo», explicou Artur Vaz, coordenador do Departamento de Investigação Criminal da Guarda. Os factos investigados ocorreram numa noite de Setembro de 2010, quando um grupo de jovens, alguns deles frequentadores assíduos dos bares da zona, terá agredido fisicamente, «de forma concertada e com recurso a barras de ferro», três outros jovens que, em resultado dessas agressões, acabaram por sofrer ofensas graves na sua integridade física, refere a Judiciária. As vítimas acabaram por denunciar o caso às autoridades, alegando que o que se passou poderia, eventualmente, configurar a prática dos crimes de homicídio na forma tentada e de associação criminosa.

Contudo, a investigação da PJ não chegou a tanto, tendo antes apurado que a agressão terá resultado de «um desentendimento anterior» entre os jovens e que os factos ocorreram «no dia em que houve um ajuste de contas de uma forma bárbara». Segundo Artur Vaz, o comunicado da PJ divulgado na semana passada destinou-se «a descansar as pessoas e dar conta do trabalho feito pelas autoridades policiais» a partir do momento em que teve conhecimento do sucedido. Isto porque se tratou de factos «não muito habituais na Guarda, que rapidamente chegaram ao conhecimento da generalidade da população residente e acabaram por causar nalguns cidadãos um sentimento de insegurança». No decurso da investigação, que contou com a colaboração do Comando Distrital da Guarda da PSP na realização de várias ações de rua tendentes à localização dos suspeitos, foi possível identificar e interrogar alguns dos presumíveis agressores e apreender uma barra em ferro por eles utilizada.

Conforme O INTERIOR noticiou na altura (ver edições de 22 de Setembro e 7 de Outubro), as participações incluíam nomes e alcunhas de alegados elementos destes grupos violentos, bem como os locais que frequentam habitualmente. A situação que deu origem à principal queixa ocorreu no início de Setembro nas imediações da Praça Velha. Um grupo com mais de 20 menores atacou com grande violência quatro jovens à saída de um bar. Em consequência, três deles tiveram de ser assistidos no Hospital Sousa Martins com vários traumatismos e mesmo fraturas de pernas e braços. Fonte policial adiantou que as agressões, concretizadas com barras de ferro e tacos de basebol, só pararam com a chegada de «dois homens de raça negra, de grande envergadura». Caso contrário, o desfecho «teria sido bem pior».

Três semanas depois das queixas terem sido apresentadas na esqudra, agentes da PSP e investigadores da Judiciária efetuaram várias rusgas em cafés e bares da cidade, no âmbito das quais foram detidos e identificados cerca de meia centena de menores, que foram posteriormente libertados. No âmbito dessa operação policial, dois alegados suspeitos de integrar estes gangues, sobre os quais recaíam fortes indícios de serem os cabecilhas, terão mesmo sido presentes a tribunal para primeiro interrogatório, tendo sido determinada a sua detenção em casa sob vigilância eletrónica a aguardar o desenrolar do processo.

Luis Martins Judiciária remeteu inquérito para o Ministério Público com proposta de dedução de acusação

PJ indicia dez jovens no caso dos gangues

Sobre o autor

Deixe comentário