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Pequenada invadiu o Alvendre

Cerca de 450 crianças viveram a aldeia com muita animação

A aldeia do Alvendre, a poucos quilómetros da Guarda, foi o palco escolhido para mais uma aula ao vivo sobre como “Viver a Aldeia”. Cerca de 450 crianças do Agrupamento de Escolas de S. Miguel invadiram a povoação, na passada segunda-feira, nesta terceira edição, e a animação e algazarra foi mais que muita ao longo de um dia preenchido com diversas actividades.

Depois de dividir os alunos em equipas, Joaquim Pereira, um dos professores envolvidos na organização, explicou o percurso e alertou os participantes para a última regra: «Não podem correr, nem deixar ninguém para trás». Ao som do apito, todos saíram à descoberta da aventura na aldeia. O percurso era composto por 12 estações onde as crianças tinham que completar diversas actividades. Nestes pontos de paragem obrigatória as equipas cumpriram tarefas como a confecção de pão e biscoitos, pesca no tanque, jogos e música tradicionais, uma caça ao tesouro, geometria criativa, arte, organização de puzzles, pesquisa na Internet e uma horta pedagógica. Paralelamente, tinham ainda o jogo da reciclagem, que consistia em fazer a recolha selectiva de todo o lixo produzido durante as actividades. Apesar de estarem, por vezes, desorientados e perdidos, os mais velhos lá iam dando uma ajudinha. No Alvendre, onde apenas três crianças frequentam o pré-escolar e quatro o primeiro ciclo na localidade, toda a população, pouco habituada a ver tantas crianças juntas, se entusiasmou e saiu à rua para ajudar e ver os mais pequenos em acção. «E ainda dizem que não há crianças no Alvendre», ouvia-se ao longe, entre risos.

Uma das actividades que mais encantou a pequenada foi a confecção dos biscoitos. A pequena Inês, com apenas sete anos, viu pela primeira vez um forno e como se faziam antigamente o pão e os bolos. «Basta juntar ovos, farinha, misturar e cozer no forno», disse, entusiasmada. Também Ariana, de 8 anos, mostrou-se surpreendida. «Nunca tinha visto, mas gostei muito», contou. No final desta etapa, todos puderam comer biscoitos e provar o pão acabado de cozer. «Que bom», garantia o Pedro, de oito anos. A malha do cereal também surpreendeu as equipas. «Para que serve?», perguntou o João, que nunca tinha visto tal arte. Seguiu-se uma breve passagem pelo museu local e uma surpresa. Três bordadeira mostram ao vivo como se faz rendas e bordados e, ao mesmo tempo, lá vão dando umas dicas sobre o resto do percurso. No final, todos foram premiados com um diploma de participação. Esta iniciativa pretende dar a conhecer às crianças a realidade rural da Guarda, valorizar a cultura e o património local e, sobretudo, proporcionar aos mais novos a partilha de experiências e saberes dos mais velhos. “Viver a aldeia” é um projecto que se realiza há três anos. A actividade já levou as crianças até Vila Soeiro e Vila Fernando para um dia diferente. Contudo, a próxima edição deverá ser a última, mas «ainda é um mistério», sublinhou Joaquim Pereira. No entanto, o balanço é positivo e as aldeias agradecem esta “invasão” de alegria e vida.

Tânia Santos

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