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Parlamento unânime contra mina de urânio em Retortillo

Todos os partidos defendem a avaliação dos impactos ambientais do projeto a cerca de 40 quilómetros da fronteira com o distrito da Guarda

Todos os partidos querem travar a instalação de uma mina de urânio a céu aberto em Retortillo (Salamanca), a cerca de 40 quilómetros dos concelhos de Almeida e Figueira de Castelo Rodrigo, até que se avaliem os impactos ambientais transfronteiriços e apresentaram projetos de resolução nesse sentido na Assembleia da República.

Na sua proposta, o PSD lembra que Espanha se tem «eximido da realização de avaliações de impactos ambientais» deste lado da fronteira, o que voltou a acontecer em relação a Retortillo. «Como se prevê o início da exploração para 2019, é urgente que o governo português exija a Madrid que se faça um estudo de impacto ambiental, para além da reunião prevista entre os titulares do Ambiente português e espanhola este mês», defendem os sociais-democratas, apontando os receios de poluição ambiental e contaminação de águas. O PSD considera que não pode repetir-se o que se passou com a construção de um armazém de resíduos na central nuclear de Almaraz. Também o PCP quer que o Governo «utilize os mecanismos legais, institucionais e políticos» de que dispõe para «promover junto do Estado Espanhol a suspensão do projeto». Os comunistas consideram que a perspetiva de uma fábrica de urânio processado e de uma mina em Retortillo obriga a assegurar que Espanha vai cumprir integralmente «as regras de segurança e ambiental e de saúde pública», o que deve ser feito através da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

O PS quer que seja cumprido o protocolo de atuação ibérico, com «respeito pelas normas internacionais e o acesso a toda a informação necessária», e defendem a instalação de uma estação de controlo radiológico no Douro. Já o CDS-PP exige uma «posição firme e determinada» junto do Governo espanhol para que se cumpra o protocolo entre os dois países que prevê «a partilha de informação e a avaliação de impacto ambiental de projetos que possam afetar os dois lados da fronteira». Os Verdes também defendem que Portugal tem que «travar a exploração de urânio em Retortillo» e lembram que os riscos contabilizados pela APA são a contaminação por radiação e metais pesados. Quanto ao Bloco de Esquerda, quer ver garantida a realização de impacto ambiental e «a não abertura» da mina, enquanto o Pessoas, Animais e Natureza (PAN) pretende que seja suspensa a mina até haver estudo de impacto ambiental e exige ainda que «o fim do uso de energia nuclear na Península Ibérica» seja assunto permanente entre Portugal e Espanha.

Início da exploração mineira está previsto para 2019

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