A luta de classes existe desde sempre, tendo dado origem no sec. XIX, a um tratado que ainda hoje é tido como importante, para análise e estudo deste tema, mas, ao invés dessa diferenciação ter sido minorada, com o passar e evoluir do tempo, foi exponencialmente ampliada.
Além da diferenciação entre os chamados ricos e pobres, passou a existir entre quem tem emprego e quem não tem acesso a ele, entre funcionários públicos e quem não teve essa possibilidade, entre os que têm reformas obscenas, muito antes do tempo e os que não lhes chega para viver com dignidade, (…) …
Para completar esta degradação que o 25 de Abril não nos prometeu (mais uma promessa não cumprida), está a luta entre gerações, ou seja, entre todos aqueles que com mais ou menos conhecimentos, nos precedem e as gerações que, de há 30 anos a esta parte, têm criado condições de degradação de vida, até ao caos que hoje se vive.
Quem pagará todos os desmandos, desvios, desvarios, incoerências, desperdícios e negócios ruinosos de todos estes anos, são, além do país real de agora, os nossos jovens, os de agora e os de muitas gerações futuras.
(…) Fizeram-se auto-estradas que depois se portajaram e simultaneamente criaram impostos nos combustíveis para financiar as estradas. Destruíram a ferrovia e a indústria de construção ferroviária, ao ponto de agora se importarem comboios usados de Espanha, lamentando-se o peso dos combustíveis na economia (…). Destruíram a agricultura, até ser necessário importar 60% do que se come, mas agora lamentam o seu peso nas importações. Têm destruído a nossa floresta, ao ponto da incorporação da nossa madeira na indústria de mobiliário ser residual. Destruíram a indústria naval e as pescas para agora se comprar peixe a Espanha, mas pescado na nossa zona marítima por barcos espanhóis. Destruíram o olival e a vinha, para agora os nossos vizinhos comprarem os terrenos, utilizando-os nas mesmas culturas.
Preocupam-se agora com a dívida externa, mas criaram e criam todas as condições, para fazer recair sobre os futuros o custo da sua manutenção.
(…) A crescente dívida pública e externa é insustentável e inadmissível, mas tem origem no descalabro económico a que têm conduzido o País, governado sem rigor, sem critério, com desleixo, desperdício e facilitismo, sem se preocuparem com as consequências, como se fosse rico e com recursos inesgotáveis.
(…) Mais dívida, mais deficit, mais despesa, mais impostos, mais desemprego, mais desgoverno, exigem medidas – dizem – inadiáveis.
Só agora? Então o que têm feito todos os que nos têm governado – desmantelar e desperdiçar, como se de ricos se tratasse – esquecendo que governam, ou antes desgovernam um país que têm construído cada vez mais pobre.
Há muitos anos que nos prometem um futuro melhor, mas o resultado é francamente mau, por isso, parem de viver com a mania das grandezas e PAREM DE NOS ENGANAR, porque da esperança que nos dizem ser a última a morrer, já pouco ou nada resta.
Rui Gama, Covilhã


