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Onde há bancos há dinheiro

Editorial

1. O anúncio de reestruturação do Banco Popular não surpreende, é mais um banco a anunciar mudanças para garantir solidez – reestruturar, na banca, significa despedir trabalhadores e encerrar agências… O futuro da banca passa pelo online, a especialização e a venda de novos serviços. Mas há um pormenor que todos sabemos: onde há dinheiro, onde há empresas, onde há negócios, há agências bancárias e a manutenção dos serviços financeiros. E na reestruturação da banca, as agências resistem e até crescem onde há vitalidade económica e emagrecem ou encerram onde a economia é débil ou as pessoas migram. Aliás, o sector financeiro na sua estratégia persegue o crescimento (onde há potenciais novos clientes abre balcões) e antecipa-se à “destruição” da economia (encerramento de empresas, etc) fechando balcões e centralizando serviços.

A banca, no seu todo, já foi um sector com mão-de-obra intensiva, hoje despede em nome da concentração, da digitalização e da diminuição de custos. E antecipa-se à diminuição competitiva das cidades e ao êxodo populacional ou empresarial e previne-se perante as falências e o fecho das empresas.

Cidade onde os bancos fecham… é uma cidade onde o tecido económico está enfraquecido, onde as pessoas e empresas diminuem e onde há menos investimento, menos crédito e menos dinheiro a circular. O encerramento de agências bancárias pode não ser um drama per si, mas é dramático em primeiro lugar para os trabalhadores, depois para os clientes, depois para a economia local (que com menos concorrência tem menos meios de financiamento) e, por último, para o futuro de uma cidade: é um sinal de enfraquecimento e empobrecimento de uma comunidade.

Ora, a reestruturação anunciada do Popular prevê despedimentos ou redução de trabalhadores e encerramento de balcões. E prevê a manutenção de balcões em todas as capitais de distrito… menos duas: Bragança e Guarda.

Na Guarda, nos últimos quatro anos, e com alguma discrição, encerraram seis agências bancárias: Caja Duero, BPI-agência do Mileu, Barclays Bank, BBV-Banco Bilbao Vizcaya, Banif (por integração no Santander) e Montepio Geral-agência do Mileu. Agora irá também encerrar a do Banco Popular. E há a especulação de que o Novo Banco, em S. Miguel, deverá fechar após a venda do antigo Espírito Santo. Más notícias para o sector financeiro. Péssima perspetiva sobre o estado económico da Guarda.

2. A IBM inaugurou na terça-feira o seu novo Centro de Inovação Tecnológica, em Viseu, num momento em que já conta com 40 trabalhadores, dos 120 que espera vir a ter.

A escolha de Viseu teve a ver com o facto de ser uma cidade «estrategicamente» localizada, e relativamente próxima de Salamanca, onde o grupo IBM tem um centro que irá funcionar em parceria com o novo. Para ficar perto de Salamanca a IBM escolheu Viseu. A “famosa” «excelente localização geoestratégica da Guarda» tem servido de pouco. A juntar à localização, a IBM contou em todo o processo com a desenvoltura, empenho e colaboração do Politécnico de Viseu que entrou no processo, desde a primeira hora.

Luis Baptista-Martins

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