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O trunfo guardado na última carta

Documento subscrito pelos nove municípios da Beira Interior Norte parece ter seduzido Covilhã e Belmonte

A carta subscrita em Fevereiro passado pelos nove municípios da Beira Interior Norte (Almeida, Celorico da Beira, Figueira de Castelo Rodrigo, Guarda, Mêda, Pinhel, Sabugal, Trancoso e Manteigas) parece ter surtido o efeito de um ultimato junto dos autarcas da Covilhã e Belmonte.

Afinal, quando menos se esperava e sem se ter esforçado demasiado, a Guarda deitou os últimos trunfos para eliminar de uma vez os municípios a Sul da Gardunha e atrair para o seu “ninho” Belmonte e Covilhã, dois dos municípios que nos últimos tempos ditaram as cartas e tomaram as rédeas do processo de descentralização administrativa na região. A carta foi enviada a Amândio Melo, Carlos Pinto, Manuel Frexes e Domingos Torrão no início de Fevereiro, num sinal evidente de “xeque-mate” aos municípios que se estendiam para lá da Gardunha, reiterando apenas o convite feito inicialmente por aqueles quatro autarcas. Mas pelos vistos, os argumentos devem ter sido mais estimulantes, pois a Beira Interior Norte conseguiu convencer Carlos Pinto e Amândio Melo a “abandonar” o núcleo duro da Cova da Beira para se aliarem à Guarda. E isto depois de terem apregoado a todos os cantos a união da Cova da Beira independentemente da posição dos municípios da Beira Interior Norte e da Beira Interior Sul.

Com a Covilhã e Belmonte, a comunidade urbana da Guarda fica com o maior aglomerado populacional da região, superando em muito os municípios de Castelo Branco. É que só os 43.744 mil habitantes da Guarda e os 54.452 mil habitantes da Covilhã perfazem um total de quase cem mil habitantes, atingindo facilmente com os restantes oito municípios mais Belmonte os 150 mil habitantes necessários para a constituição da comunidade urbana. Desta forma, terão mais peso reivindicativo para reclamar os investimentos e meios ao Governo. Castelo Branco, por sua vez, apenas conseguirá superar estes valores se se juntar à comunidade urbana do Médio Tejo, para onde já rumou Vila de Rei.

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