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O politicamente correto

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A realidade que nos chega é hoje uma imagem construída e não uma fotografia crua. Entre os diversos mecanismos mediáticos espalha-se uma ideia que depois veste contornos, cores e efeitos especiais sobressaindo das múltiplas realidades que ficam apagadas para que uma suba à boca de cena. António José Seguro, tal como António Costa, é uma figura construída que realmente poucos de nós conhece mas de quem todos formamos opinião. O PS está numa grande caminhada para o poder e por essa razão surgem os movimentos atuais. Houvesse um destino cinza e apagado e possivelmente a solidão acompanharia Seguro até outubro de 2015. A hecatombe da direita veio proporcionar a noite das facas longas que se adivinha e todos nos preparamos para a enfrentar. Os discursos politicamente corretos são o inimigo maior do pensamento político hoje, impedindo as verdadeiras alternativas e os posicionamentos realmente antagónicos. Ninguém quer sair da partitura de Bruxelas e portanto o cinzento e azul ponderam desde as gravatas aos casacos. As questões interessantes subjazem nesta forma construída de trazer os candidatos. Costa governa Lisboa e tem uma credibilidade intocável que chega dos média onde se move sem mácula. Seguro passa mal entre comentadores e críticos de cinema político. Seguro viu saírem da sua proximidade, em poucas horas, alguns dos que há poucos dias o abraçavam de modo convicto. Porque vende um bem e outro mal? Esta ditadura da imagem é a que nos vais levar a escolher. Filmamos um de baixo, outro por cima, um rodeado de gente outro só. Escolhemos os planos melhores de um e apoucamos o outro. Um fala e leva com comentários negativos, outro diz e formam-se ecos de bonomia. Esta é a ditadura dos meios de comunicação e a fronteira intransponível do politicamente correto. Assim, nestas balizas estão as duas feras políticas para o combate e nós muito curiosos do posicionamento das máquinas que constroem a realidade além da nossa vontade. Caso tenham dúvidas da magnitude deste processo reparem como em 15 de abril mais de 760 milhões de indianos mudaram o destino político da nação mais populosa do mundo e nenhuma notícia sobre isso surgiu em Portugal. São só mais votantes que os habitantes todos da Europa. Em paz, escolhendo uma mudança. Para nós, não existiu!

Por: Diogo Cabrita

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