Mais visitantes, mais notoriedade da marca e desenvolvimento de produtos artesanais com grande dose de inovação marcaram estes últimos cinco anos do PROVERE Aldeias Históricas de Portugal. Um destino que espera alcançar os 500 mil visitantes até 2017.
O programa das Aldeias Históricas de Portugal, lançado em 1991 pelo Governo de Cavaco Silva, teve uma segunda oportunidade e aproveitou-a. Mais visitantes, mais notoriedade da marca e desenvolvimento de produtos artesanais com grande dose de inovação marcaram estes últimos cinco anos do PROVERE Aldeias Históricas de Portugal. O balanço foi feito na passada sexta-feira, em Arganil, já com os olhos postos no próximo quadro comunitário.
«Os resultados mostram que, de facto, o território ganhou consistência e, sobretudo, ganhou um capital de confiança e de esperança no futuro», considera Ricardo Pereira Alves, autarca de Arganil e presidente da Aldeias Históricas de Portugal – Associação de Desenvolvimento Turístico. Desde 2011 foram investidos mais 4,4 milhões de euros em projetos públicos imateriais – cofinanciados em 85 por cento no último quadro comunitário de apoio –, como a implementação da estratégia de valorização, o plano de comunicação e marketing e na animação da rede formada por doze localidades do interior. «Estimamos que a taxa de execução dos projetos aprovados atinja os 95 por cento até ao final do ano», acrescentou Dalila Dias, coordenadora do programa, durante o seminário. «Hoje, as Aldeias Históricas são um produto turístico com mais notoriedade graças a parceiros como a National Geographic, a RFM, a TAP, a revista Visão ou o “Jornal de Notícias”, que ajudaram a passar a mensagem de que são um destino de excelência», adiantou Ricardo Pereira Alves.
O responsável admite que os principais desafios desta ação foram alcançados, «fruto de um trabalho conjunto de agentes públicos (Câmaras e CCDRC) e privados». Atualmente, a rede das Aldeias Históricas atrai cerca de 400 mil visitantes por ano, mas, segundo o dirigente, a meta é alcançar os 500 mil «nos próximos dois/três anos». Contudo, o futuro não está no turismo de massas, mas antes num turismo diferenciado, «de nível médio superior, em que as pessoas tenham poder de compra e possam permanecer no nosso território durante algum tempo», sublinha. Para captar esses turistas, a associação está a ultimar a grande rota das Aldeias Históricas, que envolve 19 municípios – mais sete que a rede atual – num périplo com cerca de 600 quilómetros e muitos atrativos à espera dos visitantes. «Temos também as recriações históricas e outras iniciativas que vieram fortalecer a rede e gerar uma oferta com maior qualidade e sobretudo maior diversidade», lembra o dirigente.
Contudo, o presidente da associação sediada em Belmonte realça que a valorização das Aldeias Históricas é sobretudo «uma ação de desenvolvimento regional», pois «o que fizemos através do turismo, da moda, dos bonecos para as crianças, do bracejo e da cerâmica, acrescentando inovação às atividades tradicionais, é fundamental para garantir mais emprego e maior coesão económica, social e territorial no futuro». O presidente sublinha que o programa está atualmente «nesse ponto de viragem» e que é preciso garantir mais apoios, nomeadamente dos fundos europeus, «para replicar estes exemplos para mais áreas». De resto, Ricardo Pereira Alves está otimista com a estratégia Portugal 20-20, cujo objetivo será apoiar projetos específicos e marcas que valorizem os territórios de baixa densidade. «O exemplo da Aldeias Históricas é citado como um caso de sucesso. Portanto, a nossa expetativa é que podemos aspirar a continuar a ter fundos europeus no desenvolvimento do nosso projeto», afirmou.
Uma rede, 12 destinos
A Associação Aldeias Históricas de Portugal congrega entidades públicas e privadas de Almeida, Belmonte, Castelo Mendo, Castelo Novo, Castelo Rodrigo, Idanha-a-Velha, Linhares da Beira, Marialva, Monsanto, Piódão, Sortelha e Trancoso.
Luis Martins


