São plantas selvagens que nos habituámos ver nos campos, muitas vezes escondidas entre outras amplamente aproveitadas, mas muitos não conhecem o seu potencial. Uma delas é a bela-luz, variante do tomilho, cujo óleo tem efeitos medicinais e está a ser comercializado pela Planalto Dourado – Óleos Essenciais, sediada nas Freixedas (Pinhel). A planta, exclusiva da Península Ibérica, estava na nossa região «adaptada e pronta para ser cultivada», refere Carlos Fernandes, fundador da empresa.
O projeto, criado em 2005, teve como objetivo inicial rentabilizar uma quinta de família, outrora conhecida pela produção vinícola: «Quando a quinta chegou às nossas mãos as uvas eram vendidas e a rentabilidade nula», recorda o responsável, segundo o qual a aposta no mercado das plantas aromáticas e medicinais surgiu com «alguma naturalidade», já que os terrenos da zona têm aptidão para o seu cultivo. «A qualidade é boa, o terreno onde cresce também tem influência e as pessoas mostram-se agradavelmente surpreendidas, dizem até que o nosso óleo da bela-luz é melhor que o espanhol», adianta o empresário. Os óleos essenciais têm sido a referência da Planalto Dourado, que procura aumentar a produção e incluir outras plantas: «Já produzimos óleos da bela-luz e da perpétua das areias, mas temos outros em fase piloto. Estamos a testá-los para ver as propriedades medicinais e se tem interesse comercial», refere Carlos Fernandes.
A quinta tem ainda uma pequena produção de uvas para vinho, hortícolas, frutas, tomates e pimentos (alguns com variedades exóticas) e ruibarbo, sendo que os produtos são transformados em doces, conservas e “chutneys” – condimento de paladar agridoce, picante ou uma mistura dos dois. O mercado da «saúde saudável», como o define Carlos Fernandes, é a finalidade da empresa, que procura integrar as potencialidades da flora local na aromoterapia. Para o responsável, este é um mercado vasto e em crescimento: «As pessoas querem cada vez mais comer coisas biológicas, sem químicos nem conservantes, então está a haver uma procura idêntica no campo da medicina e da cosmética», declara. O objetivo da Planalto Dourado é crescer em Portugal com olhos postos na exportação, sendo necessário «investir em instalações industriais para processar grandes quantidades de plantas, juntar mais produtores e criar uma espécie de polo aromático da região, com o objetivo de exportar», assume o empresário.
Para Carlos Fernandes, a solução do interior pode passar por este tipo de projetos: «É uma zona boa para plantas aromáticas e medicinais, pois o clima é muito quente e seco no verão e muito frio no inverno. É, sem dúvida, um local com potencial, mas um dos problemas é as pessoas não quererem trabalhar na agricultura porque acham que é uma tarefa pesada», lamenta. Além de mais, a empresa é um elemento dinamizador da freguesia pinhelense, uma vez que lhe tem dado alguma projeção a nível nacional: «No início havia uma certa desconfiança porque não sabiam bem o que fazíamos, mas as pessoas foram sendo informadas e a maior parte vê a iniciativa com “bons olhos”», admite o responsável.
Na Guarda, os óleos encontram-se à venda na Eginatur, mas também podem ser adquiridos através da página de Facebook da empresa (www.facebook.com/pages/Planalto-Dourado-Oleos-Essenciais/264067336993727?ref=ts&fref=ts).
Propriedades da bela-Luz e perpétua das areias
O óleo essencial de bela-luz é um poderoso expetorante e descongestionante das vias respiratórias, mas também é um bactericida «que poderá vir a substituir alguns antibióticos. Também pode ser usado como fungicida, nomeadamente com o pé de atleta tem mostrado bons resultados», revela Carlos Fernandes. Já a perpétua das areias tem capacidades regenerativas dos tecidos da pele, sendo «um poderoso cicatrizante muito utilizado em cremes antirrugas, também aplicado como fungicida e anti- hematoma», refere o empresário. É um óleo raro por ter um rendimento muito baixo e ser «difícil de obter».
Sara Quelhas



