A Guarda é o palco, sábado à noite, de mais uma sessão de “Cinema”. O último álbum de Rodrigo Leão, verdadeira banda sonora de um filme imaginário, está em cena no palco do grande auditório do Teatro Municipal. Trata-se de uma viagem por géneros e ritmos, durante a qual se encontram, sem complexos, o clássico e o electrónico. O resultado é intimista e genial, na linha de trabalhos anteriores como “Ave Mundi Luminar”, “Theatrum”, “Alma Mater” e o álbum ao vivo “Pasión”.
“Cinema” segue o caminho de exploração instrumental por que o artista enveredou desde a estreia a solo em 1993, mas para o seu quinto trabalho de originais contou com a preciosa ajuda de nomes sonantes da música contemporânea. Ryuichi Sakamoto, por exemplo, é o autor de uma composição sobre a voz de um dos filhos de Rodrigo Leão que resultou no tema “António”. Mas há mais colaborações para as várias “cenas” deste “Cinema” melancólico, como Sónia Tavares (The Gift), Helena Noguerra, Rosa Passos e Beth Gibbons. Para o crítico do “Público” Miguel Francisco Cadete, “Cinema” é uma «viagem por imagens fantasmagóricas que tanto nos leva a Paris, à Republica de Weimar ou ao Rio de Janeiro mais solarengo sem nunca sair de Lisboa, cidade onde foi composto, gravado e misturado». O início da carreira de Rodrigo Leão confunde-se com o começo, em 1982, de uma das mais importantes bandas da música moderna portuguesa, os Sétima Legião. Vieram depois os Madredeus. Em1989, fez a primeira experiência de composição a solo, na banda sonora do filme “Um passo, outro passo e depois…”, de Manuel Mozos.
“Ave Mundi Luminar”, com o Vox Ensemble, surgiu quatro anos depois, surpreendendo tudo e todos. A música composta por Rodrigo Leão visitou então sons clássicos, com abordagens modernas, acompanhados de letras cantadas em latim. O disco contou com as participações de Teresa Salgueiro, Francisco Ribeiro, Nuno Guerreiro, Gabriel Gomes e Paulo Abelho. O álbum superou as expectativas iniciais e teve edições em vários países. Em “Theatrum”, o segundo conjunto de originais, destacam-se ambientes mais soturnos e consideravelmente mais complexos que no anterior. Em 2000, produziu “Alma Mater”, que reflectiu uma nova transformação nas composições do músico. A colaboração com Pedro Oliveira teve como resultado um álbum bastante mais leve que o anterior, que contou ainda com as colaborações de Luís San Payo, Pedro Wallenstein, Pedro Jóia, Ruben Costa ou Denis Stetsenko. A participação das vozes de Lula Pena e de Adriana Calcanhoto geraram sonoridades ainda mais singulares se comparadas aos trabalhos anteriores.


