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«O associativismo está a pagar a crise económica»

Cara a Cara – Entrevista: António João Moreira

P – Qual vai ser o papel da recém-criada Federação de Colectividades do Distrito da Guarda?

R – Antes de mais, é importante referir que a Federação foi formada a 14 de Fevereiro, com 10 colectividades do distrito como fundadoras, e em termos legais, no dia 4 de Junho, sendo que a 11 de Julho ocorreu a eleição dos primeiros órgãos sociais. Quanto ao seu papel, a Federação é uma extensão da Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto e, nesse sentido, uma das suas tarefas passa por criar elos de ligação nos concelhos, através de uma “associação-elo” ou através da criação de associações concelhias. Por outro lado, manter uma ligação directa às associações filiadas e não filiadas, a possibilidade de trabalhar em projectos comuns e apresentar candidaturas ao Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) e a dinamização da formação de dirigentes através de um protocolo já existente com as Câmaras, que agora fica sob a alçada da Federação.

P – Quais os requisitos para uma associação aderir a esta Federação?

R – Essencialmente, boa vontade. Todas as associações, colectividades ou clubes podem aderir, preenchendo um impresso próprio. A adesão tem um custo anual de 45 euros.

P – Quais são os principais projectos para este mandato?

R – Queremos fazer a tal aposta nos dirigentes, fazer algum trabalho ao nível de candidaturas ao QREN, nomeadamente ao projecto “Q3”, que é de âmbito nacional e vamos apresentar às colectividades em Setembro. A Federação pretende cooperar em alguns serviços, como fazer a contabilidade a algumas colectividades que não têm possibilidades para o fazer, por exemplo. Queremos também ser um elo de ligação entre as associações e o poder local, porque penso que tem que haver mais reconhecimento por parte dos municípios e Juntas de Freguesia.

P – Como está o associativismo juvenil no distrito?

R – Julgo que há um trabalho muito importante ao nível das associações juvenis e acho que são fundamentais para o distrito. Tem que se fazer uma aposta em ter jovens em todas as colectividades e é preciso fazer um grande trabalho, porque havia uma mentalidade, que ainda existe, de que os jovens não são necessários. Eu penso que tem que se fazer uma aposta mista, porque os jovens são fundamentais nas colectividades para lhes dar novo fôlego. Uma associação que não tenha jovens não vai a lado nenhum, até porque estamos num distrito envelhecido e sofremos o problema da interioridade.

P – O que pensa do papel das associações e colectividades na sociedade?

R – Acho que ainda não houve vontade política para se apoiar substancial e concretamente o associativismo, porque existem milhares de colectividades e de dirigentes benévolos pelo país fora e não há um reconhecimento político. Ainda é o poder local que vai ajudando, quando deveria haver uma outra estrutura através do Orçamento de Estado, com transferências concretas e planos concretos para as várias regiões. Estamos perante uma crise do associativismo, porque não trazemos os jovens para as colectividades, além de que as colectividades têm que criar um novo dinamismo. O associativismo está a pagar a crise económica que vivemos e as colectividades contribuem para a diminuição da crise económica, porque representam o grosso das entidades a nível social, cultural e desportivo. Agora, as associações são um poder na sociedade e desde sempre trabalharam para e com a sociedade e não são os poderes local e central que as travam, mas devia haver um estratégia por parte dos vários partidos políticos para que as colectividades fossem reconhecidas. De resto, algum poder local ainda não percebeu que é necessário ter como parceiro fundamental o associativismo. Eu acho que todos ganhamos se todos trabalharmos em parcerias mais directas.

P – Nesse sentido, como poderão sair fortalecidas as colectividades?

R – Primeiro, temos que fazer um trabalho concelho a concelho e, a partir de Setembro, tencionamos trabalhar no terreno e nessa altura haverá novas directrizes. Temos que ter o maior número possível de colectividades associadas e depois fazer um trabalho próximo dos municípios, que permita uma ajuda às colectividades, para que possam ter parcerias com as autarquias.

António João Moreira

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económica»

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