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Necessidade de nova barragem na Serra da Estrela contestada

Nível Pleno de Armazenamento da Barragem do Viriato está na base da convicção de Luís Alçada Baptista

«A Barragem do Viriato está cheia pelo que a questão da necessidade de uma nova barragem não me parece que seja de máxima urgência». Quem o diz é Luís Alçada Baptista, proprietário de uma casa situada no local escolhido pela Águas da Covilhã (AdC) para edificar uma nova infraestrutura naquele concelho.

Depois da Barragem do Viriato, na Serra da Estrela – que abastece de água um terço do concelho da Covilhã – ter atingido o seu Nível Pleno de Armazenamento (NPA) a 27 de Dezembro, Luís Alçada Baptista alega que a construção da Barragem da Ribeira das Cortes «não é necessária». Recorde-se que o proprietário mantém um diferendo com a empresa municipal que remonta a 2006. Em causa está a suposta falta de água no concelho, que motivou a necessidade por parte da autarquia covilhanense de edificar uma nova barragem na freguesia das Cortes do Meio (também na Serra da Estrela). Do outro lado da “barricada” está Luís Alçada Baptista, que se recusa a ceder o terreno onde tem uma casa que considera de «alto valor patrimonial». Depois de um “braço-de-ferro” que se tem mantido desde então, o proprietário questiona a necessidade de uma nova barragem, que se encontra actualmente com o seu caudal máximo.

«A Barragem do Viriato é suficiente para as necessidades em anos normais. Obviamente que poderá acontecer um ano de seca, que terá uma cadência de décadas», defende Luís Alçada Baptista. «Por outro lado, o alteamento da Barragem do Viriato viria a resolver esses problemas de água para um período de seca, o tal ano extraordinário. A nova barragem não é fundamental, e quem a vai pagar são os covilhanenses», sustenta. O proprietário atira ainda que «quando se quer à força, e contra tudo e contra todos, construir uma coisa que não é necessária, as pessoas não poderão deixar de se questionar sobre que tipo de interesses poderá haver». E sugere: «Há ainda a Barragem do Covão do Ferro, que está a funcionar para produzir electricidade, estando vazia. Ora, o enchimento daquela barragem seria uma reserva de água brutal que pode ser utilizada para resolver os problemas de um ano extraordinário». Por isso, Luís Alçada Baptista afirma mesmo: «A capacidade actual da Barragem do Viriato resolve os problemas de um ano normal, com o seu alteamento resolvem-se os problemas de um ano extraordinário de seca, e com a recuperação da Barragem do Covão do Ferro ficam com água para vender a outros concelhos».

Questionado acerca da necessidade da construção de uma nova barragem, um dos administradores da empresa não tem dúvidas: «é absolutamente necessário», isto, «face aos estudos que foram desenvolvidos desde há cerca de 15 anos pela COBA [Consultores para Obras, Barragens e Planeamento] e pelos Serviços Municipalizados da Covilhã [actual Águas da Covilhã]. José Calmeiro explica que «o alteamento da Barragem do Viriato apenas a vai beneficiar numa capacidade de armazenamento adicional de cerca de 300 mil metros cúbicos, o que não é nada». O administrador adianta que o alteamento foi feito «porque, de acordo com o Laboratório Nacional de Engenharia Civil é necessário o reforço estrutural da barragem», já que foi edificada nos anos 50, e que «acaba por não ser significativo em termos de capacidade de armazenamento de água». José Calmeiro esclarece que «neste contexto foi necessário analisar várias alternativas aqui em redor para abastecer o concelho da Covilhã e chegou-se à conclusão de que o local mais adequado para construir uma nova barragem era junto à Ribeira das Cortes». «Estamos a envidar todos os esforços no sentido de lançar o concurso do alteamento da Barragem do Viriato ainda em 2010, e da Nova Barragem da Ribeira das Cortes, durante o ano de 2011», garante.

Rafael Mangana O diferendo entre Águas da Covilhã e proprietário remonta a 2006

Necessidade de nova barragem na Serra da Estrela contestada

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