António Alçada Baptista, natural da Covilhã, morreu no domingo em Lisboa. O escritor, de 81 anos, foi fundador de “O Tempo e o modo”, revista que marcou a geração de 60. Ainda durante a juventude frequentou um colégio de jesuítas, em Santo Tirso, e prosseguiu os estudos na Universidade de Lisboa, onde se licenciou em Direito em 1950.
Contudo, foi no jornalismo, na edição e na política, em especial durante o regime salazarista, que mais se evidenciou. Foi candidato pela Oposição Democrática nas eleições para a Assembleia Nacional em 1961 e 1969, tendo sido assessor para a cultura de Veiga Simão, então ministro da Educação Nacional. Foi ainda responsável pela programação editorial da Editora Moraes, a partir de 1957, onde deu a conhecer nomes relevantes da literatura portuguesa como Alexandre O’Neill, Jorge Sena, António Ramos Rosa ou Maria Velho da Costa. No jornalismo destacou-se como director da revista “O Tempo e o Modo”, entre 1963 e 1969, e do jornal “O Dia”. Colaborou ainda com “A Capital”, o “Semanário” ou a revista “Máxima”, tendo também participado em programas de rádio e televisão. Actualmente, era director da revista “Oriente”, editada pela Fundação Oriente. Criador do Instituto Português do Livro, foi seu presidente até 1986. Durante esse período empenhou-se em promover as relações culturais entre Portugal, Brasil, Cabo Verde e Moçambique.
Desde 1989 que era correspondente da Academia das Ciências de Lisboa. O escritor covilhanense publicou 13 títulos, entre eles, “Os Nós e os Laços” (1985), “Catarina ou o Sabor da Maçã” (1988), “Tia Suzana, Meu Amor” (1989), “O Riso de Deus” (1994), “Pesca à Linha – Algumas Memórias” (1998), “Um Olhar à Nossa Volta” (2002) e o seu último livro “A Cor dos Dias – Memórias e Peregrinações” (2003). A Câmara da Covilhã anunciou, entretanto, que a bandeira do município permanecerá a meia-haste durante três dias, em sinal de luto pela morte do escritor. «A Covilhã perdeu um dos seus melhores, que sempre amou a sua terra, prestigiando-a através de uma vida em que a palavra cultura adquiriu uma dimensão superior», refere um comunicado assinado por Carlos Pinto.


