Em apenas oito meses de vida, a CulturGuarda, empresa gestora do Teatro Municipal da Guarda (TMG), registou um prejuízo de 115 mil euros.
É verdade que uma empresa municipal de cariz cultural não pode ser gerida como uma empresa privada, cujo objectivo é o lucro. Mas também não pode ser um poço sem fundo para as depauperadas finanças da autarquia. A população da região tem direito a uma oferta cultural rica e variada, é certo, mas não a qualquer custo.
Ao integrar uma rede cultural internacional, o TMG dá um passo no sentido de uma gestão mais equilibrada, mas não chega. Toda a estrutura deve ser redimensionada de acordo com a realidade local, nomeadamente em termos de programação e de recursos humanos.
Insistir neste modelo é um erro, mas transformar a situação financeira do TMG numa guerra política é um equívoco igualmente grave. Os responsáveis pela CulturGuarda devem abdicar do sonho de criar uma nova centralidade cultural na Guarda, tal como os detractores do projecto devem acabar com a crítica sistemática, pois só assim o investimento pode ser viabilizado.
A população também tem a sua quota-parte de responsabilidade no sucesso da infra-estrutura: ou assiste aos espectáculos, ou então não há modelo de gestão que valha ao TMG.
Presidenciais 2006
Terminados os debates televisivos entre os candidatos presidenciais, há duas conclusões que se podem extrair do muito que se escreveu acerca do tema: o modelo escolhido não permite um verdadeiro debate e os candidatos não conseguiram esclarecer o eleitorado acerca dos seus projectos.
Uma e outra coisa podem ser verdadeiras, mas há uma outra causa para a pobreza dos debates: as funções presidenciais são muito reduzidas.
Por isso não interessava saber o que fariam os candidatos perante determinadas situações, mas o que pensam eles de alguns temas fundamentais que afectam a sociedade portuguesa. É pena que os debates não tenham seguido essa via.
Nota: resta-me desejar um Feliz Natal aos leitores, jornalistas e colaboradores d’O Interior.
Por: João Canavilhas



