O presidente da Câmara da Covilhã respondeu com ironia ao parecer negativo que a Direcção Regional de Agricultura da Beira Interior (DRABI) emitiu em relação às obras de urbanização na Quinta do Freixo.
– Pensam que vai ser a salvação da agricultura, disse o autarca referindo-se à parcela de terrenos afecta à Reserva Agrícola Nacional que levou a DRABI a emitir o parecer.
Politicamente, a chalaça do presidente até pode resultar. Mas poderão os munícipes utilizar esse mesmo argumento quando a Divisão de Urbanismo e Habitação da Câmara embargar uma obra ou recusar uma licença de habitabilidade? Por exemplo, o proprietário de uma moradia cujas varandas não estejam de acordo com o projecto inicial poderá responder:
– Oh senhor fiscal, deixe-se lá de ridicularias. Ou pensa que vai salvar a arquitectura portuguesa?
Acho que uma resposta destas era o suficiente para o processo de aprovação da obra se arrastar mais uns meses.
Independentemente de tudo o que se disse, há pelo menos um dado indesmentível: na vigência do anterior PDM, a quinta do Freixo tinha um valor. Com a suspensão parcial do PDM e a aprovação de um Plano de Pormenor, quanto passa a valer a Quinta do Freixo? O dobro? O triplo? O quádruplo? Confesso que não sei, mas tenho a certeza que não serão os munícipes a ganhar com essa valorização.
Dificuldades e oportunidades
O fim-de-semana veio confirmar o que escrevi numa crónica anterior: o Serra Shopping é um pólo de atracção para milhares de pessoas, pelo que se abre uma janela de oportunidade para o comércio local.
O grande afluxo registado no sábado e no domingo acabou por encher o novo centro comercial, mas também outros espaços comerciais da cidade. Para já, os grandes beneficiados foram os comerciantes da zona sul, mas os estabelecimentos localizados no centro também podem vir a beneficiar. Para isso contam desde logo com um aliado: o acesso natural à Serra da Estrela passa no pelourinho. Talvez seja necessário alterar horários de funcionamento, oferecer estacionamento gratuito ou desenvolver campanhas de promoção, mas a oportunidade não se pode perder.
Por: João Canavilhas


