1 – Quando na próxima segunda-feira tomar posse, como membro da Assembleia Municipal de Celorico da Beira, e declarar em voz alta “Juro por minha honra que cumprirei com lealdade as funções que me são confiadas” sei que tenho o dever e a obrigação de ser porta-voz de todos quantos foram às urnas e votaram no passado 1 de outubro.
Os eleitores celoricenses deram-me a sublime honra de acarretar com a responsabilidade de os representar nos próximos quatro anos na Assembleia Municipal mais sui generis do país. Vejamos: o PSD ganha a Câmara Municipal ficando com o presidente e mais um vereador. O PS elege também dois vereadores e os independentes um vereador, de onde se conclui que os laranjinhas estão em minoria na Câmara, como em minoria estão na Assembleia Municipal… Neste interessante cenário é deveras aliciante ser autarca no concelho mais central do distrito, estando efetivamente preparado para encarar todos os cenários, reconhecendo que há necessidade de todos assumirmos uma postura responsável, sem contudo “vender a alma” a quem quer que seja, pois na coabitação existem projetos substancialmente diferentes.
Saber dialogar, perceber que a gestão terá de ser feita por objetivos, assumindo uma participação por inteiro onde a eficácia e a eficiência terão de ser o máximo denominador de todos os cálculos políticos, apostando no projeto do concelho, na criação de riqueza, na fixação de população, num espaço de proximidade onde todos, sem exceção, estão logicamente convidados à participação, sem contudo abdicarem do projeto em que acreditam.
2 – Nesta república de bananas, conforme escreve António Ferreira, na última edição de O INTERIOR, é necessário perceber que a imprensa regional passa por inúmeras dificuldades, chamando a atenção a todas as entidades que o princípio é deixar de lado a aposta nos mesmos de sempre, onde não são alheios pressupostos, motivações e simpatias, estando naturalmente presentes dividendos de pequenas/grandes verdades evidentes daqueles que, de forma encapotada e algo chico-esperta, sabem “mamar a cabra”, sendo percetível aos olhos de todos que o rei estava, está e, pelo andar da carruagem, irá continuar efetivamente nu.
Nesta tirania da comunicação é necessário dizer que o jornalista deve narrar os factos com imparcialidade, enquanto o cronista tem de analisá-los, organizando a sua própria crónica, dando a sua visão do evento, demonstrando a relação entre factos e pessoas, não estando, nem ficando refém de uma imparcialidade a que efetivamente não está sujeito.
No Dia Mundial da Liberdade de Imprensa foi dito pela ONU e pela UNESCO que «o jornalismo de qualidade permite que os cidadãos tomem decisões conscientes sobre o desenvolvimento da sociedade permitindo expor a injustiça, a corrupção e o abuso de poder». E assim deverá ser. Assim tem de ser…
Por: Albino Bárbara


