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Horta solar do Ferro já está ligada à rede pública

Projecto único na região, da empresa Enforce, é o primeiro na Europa a usar seguidores solares bifaciais

A central fotovoltaica da empresa Enforce, instalada na freguesia do Ferro (Covilhã), já está ligada à rede eléctrica pública, abastecendo o equivalente a perto de 40 casas. Este projecto único na Beira Interior, pensado há quatro anos, utiliza uma tecnologia inovadora a nível nacional e até europeu: seguidores solares bifaciais, com uma potência total de 100 kilowatts, que permitem um ganho energético de 50 por cento em relação a instalações tradicionais fixas.

Com a ligação à rede pública, esta empresa sediada no Parkurbis – Parque de Ciência e Tecnologia da Covilhã começa já este mês a facturar, assentando o negócio no pagamento de 35 cêntimos por kilowatt por parte da EDP – que cobra ao consumidor final um valor bem abaixo, na ordem dos 11 cêntimos. Este que é um dos 19 Projectos de Interesse Nacional (PIN) na área da inovação quer afirmar-se no mercado: «Temos o objectivo de levar esta tecnologia para o mercado da microgeração, com resultados equiparados aos que temos aqui, de 50 por cento mais de produção ao nível da energia, e a um preço muito equivalente ao que as pessoas pagam num sistema convencional», revela o director-geral da Enforce, João Nuno Serra. Outro dos grandes objectivos passa por integrar o plano do Governo para a energia fotovoltaica, que é de 150 megawatts até 2010. «O Governo já entregou 110 e nós queremos ter uma parte desses 40 que ainda estão por entregar», diz o responsável.

No total, a horta solar, localizada na Quinta da Charneca, ocupa meio hectare e engloba nove seguidores solares bifaciais, que foram concebidos através de uma parceria com uma firma russa. «Foi a Enforce que desenvolveu esta tecnologia, mas auxiliada pela experiência no fabrico de células bifaciais da empresa russa», revela. «Contamos com 30 por cento conseguidos através do seguimento solar e com 20 por cento que vem pela radiação», explica. A grande diferença relativamente aos sistemas tradicionais é que estes seguidores giram ao longo do dia, com tecnologia semelhante à usada nos satélites enviados para o espaço, gerando, por isso, mais electricidade. Uma instalação fixa absorve 1.500 horas de sol por ano, enquanto que com este tipo de estruturas o aproveitamento pode chegar às 1.800.

Os painéis «estão agora em fase de certificação por laboratórios independentes para poderem ir para o mercado e entrarem em regime de comercialização», diz João Nuno Serra. Depois deste processo, a empresa espera encontrar uma linha de produção em Portugal, estando em conversações nesse sentido com uma firma localizada no Alentejo, adianta este responsável.

De acordo com o director-geral da Enforce, a horta solar custou 700 mil euros e, apesar de o projecto ter sido seleccionado como PIN pela Agência Portuguesa de Investimento (API), não recebeu quaisquer apoios financeiros do Governo. Os projectos PIN prevêem investimentos superiores a 25 milhões de euros, o que faz deste «uma excepção entre os 19 projectos», acrescenta João Nuno Serra.

No currículo da Enforce, que actualmente emprega oito pessoas, estão vários trabalhos em Espanha e em Portugal, onde se contam a central fotovoltaica de Moura, com 46 megawatts, e a de Caniçal, na Madeira, com seis.

A central fotovoltaica está localizada na Quinta da Charneca

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