O ontem pode desaparecer depois e onde tínhamos um mundo fica um rio, onde existiam ideias há solidão. O Haiti é um monumento à negligência e à incúria. É um lugar de maus políticos, de más governações, de gente que se apoderou da decisão por nada mais que a vaidade. São pavões a governar um pequeno país de sofrer. O mesmo terramoto que surgiu no Chile devastaria o Haiti, contaríamos muitas mais mortes e o drama poderia ser o extermínio de uma Nação. Os responsáveis, infelizmente, não morreriam e tentariam assacar culpas e responsabilidades a muitos dos soterrados e dos desaparecidos. A comédia da incúria e gargalhada sobre o drama seriam saudáveis depois, mas os milhares de mortos dever-se-iam à absoluta negligência, falta de vistoria, falta de procura da excelência. O Haiti é uma lição e devia ser eternamente representado, revisitado, recordado. Os erros da humanidade não devem ficar esquecidos, nem ser ocultados. Este é um tempo de tragédias e de mortes. Chile, França, Madeira, Haiti sucedem-se de modo estonteante. O ano de 2010 começa com talento destruidor. Onde havia casas ficam ruas de lama, onde brincavam crianças há lodo e entulho, onde se guardavam carros encontra-se uma piscina. O hoje pode não ser amanhã e disso devemos ter forte noção para perceber a vida de modo mais adequado.
Por: Diogo Cabrita


