P – Há quanto tempo é que pratica pesca de competição em água doce?
R – Há cerca de 12 anos.
P – O que significa para si o título de campeão nacional de pesca do Inatel?
R – Claro que tem algum significado Em termos desportivos, é lógico que o ego fica sempre mais elevado mas não tem grande importância porque ando nisto mais pelo desporto em si do que propriamente pela conquista de títulos.
P- Foi o primeiro título que ganhou?
R – Já ganhei outros, mas um com tanta importância, penso que não. Como digo muitas vezes, não está em causa ganhar este ou aquele título, para mim, desde que seja competição e que não fique em último, é excelente.
P – Em que consiste a pesca desportiva em água doce?
R – Há muitas técnicas para pesca em água doce, dependendo do sítio e local onde estamos, assim nos temos de adaptar às situações. É lógico que o Pocinho é mais fácil para nós, porque costumamos lá pescar mais vezes e isso conta muito, daí estarmos em vantagem sobre os restantes concorrentes. O mesmo já não acontece quando vamos para o Maranhão ou para o Alto Rabadão, onde é lógico que os pescadores de lá tenham mais experiência que nós.
P – O que é que o atrai na pesca de competição?
R – Conseguir apanhar mais que os outros e ficar à frente da maior parte dos pescadores. Como é lógico, quando competimos, vamos sempre com a ambição de ganhar, porque se eu soubesse que ficaria em último não iria, sou sincero. Até ver tenho-me dado bem na pesca de competição. Em termos de campeonato nacional, esta foi a primeira vez que fiquei em primeiro. No entanto, posso dizer que nunca tenho ficado mal, já que o ano passado fiquei em quarto e nos outros anos tenho andado relativamente bem.
P – Até que ponto é que a pesca pode ser considerada um desporto, já que muita gente a vê apenas como um “hobbie”?
R – Muitas pessoas têm a ideia de que a pesca é muito simples, que é só chegar, mandar lá para dentro e esperar que o peixe ataque, mas não é bem assim. Há que pensar muito, porque, quando é fácil, é fácil para todos, pelo que temos que ser mais inteligentes para conseguirmos tirar mais peixe. Quando é difícil, então mais temos que pensar para conseguir “enganar” o peixe.
P – Até que ponto acha que este desporto pode ter visibilidade, dado estarmos numa região do interior?
R – Tem muita, até porque dispomos de muitas condições. Este ano, por exemplo, já começaram a melhorar no Pocinho. Infelizmente, no nosso país a única coisa que tem maior visibilidade é o futebol, todas as outras modalidades ainda não contam. Mas aqui nesta região temos grandes condições e boas massas de água para poder praticar este desporto. Há alguns sítios que precisavam de um ligeiro arranjo, mas também reconhecemos que, muitas vezes, não é fácil para as autarquias ou para outras entidades locais conseguirem fazer melhor. Lembro-me que antes era impensável praticar pesca na barragem onde se disputou o campeonato deste ano, porque não oferecia condições rigorosamente nenhumas. Neste momento não podemos dizer que está muito bom, mas começa a estar e, com mais algum empenho e outros trabalhos de beneficiação, penso que poderemos ter uma pista excelente no Pocinho.


