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Grupo Pestana acusado de «pressionar» Governo a desistir do Sanatório

Para Jorge Patrão, as declarações de José Roquette ao “DN” são uma estratégia para não construir a Pousada da Serra da Estrela

«Entendo as declarações de José Roquette como uma forma de pressionar o Governo a desistir dos compromissos que assumiu na região, nomeadamente com o Sanatório». É desta forma que o presidente da Região de Turismo da Serra da Estrela (RTSE), Jorge Patrão, reage às declarações do administrador do Grupo Pestana Pousadas ao “Diário de Notícias” na última segunda-feira.

Em entrevista, José Roquette afirma ter «dúvidas sobre a viabilidade» da pousada a construir no antigo Sanatório dos Ferroviários por haver três unidades do género na região da Serra da Estrela, concretamente o Convento do Desagravo, Manteigas e Belmonte, para além da futura pousada de Linhares da Beira, praticamente concluída. A reacção da RTSE não se fez esperar. «Com essa estratégia tenta-se convencer o Governo a desistir deste investimento. Essa foi sempre a estratégia desde que o grupo Pestana ficou com a gestão das Pousadas», desconfia Jorge Patrão, avisando, de resto, que a região não vai ceder à pressão. «Temos argumentos jurídicos e a não ser cumprido o contrato alguém terá de assumir. E nós não vamos ser de certeza», avisa, ainda para mais quando o Governo tinha 60 milhões de euros, provenientes de fundos comunitários, afectos à construção de seis novas pousadas. Além da Covilhã, estão previstas a construção de novas unidades nos Açores, Tavira, Estói (Faro), Vila do Conde e Peniche.

Para Jorge Patrão, as dúvidas suscitadas pelo Grupo Pestana quanto à viabilidade da nova unidade, que aguarda há mais de um ano pela adjudicação a uma das 16 empresas concorrentes ao concurso público internacional, devem-se ao facto de se situar no interior do país, uma vez que o grupo não tem encargos no Sanatório. «Não tem encargos com a aquisição do edifício, nem com a elaboração do projecto, que está pago, nem com a construção da obra, que depende de verbas comunitárias», justifica. Daí que, no seu entender, as reticências de José Roquette apenas se devem ao facto do Sanatório não estar junto ao mar. «Não nego que o Grupo Pestana seja um grupo de referência no turismo português e que se está a internacionalizar. Mas é um grupo cujos investimentos turísticos e hoteleiros são sempre feitos junto ao mar», constata Patrão. «Em Portugal sempre investiram na costa. No Brasil, em Cabo Verde e em Moçambique também vai ser junto ao mar e o mesmo se passa nos locais de recuperação do património português, como Goa ou Marrocos, que apesar de ser prestigiante para Portugal, não deixa de ser junto ao mar». Mesmo com as incertezas de Roquette, Jorge Patrão diz que não aceita qualquer retrocesso na construção da obra. «Se o administrador tinha dúvidas, devia tê-las colocado antes de ter assinado o contrato», insiste, recordando que o Grupo Pestana se comprometeu com a gestão de mais de 40 pousadas e a construção de seis novas unidades.

Liliana Correia

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