As movimentações pré-eleitorais prosseguem em ritmo crescente, próxima que estará a data concedida por Lisboa para as estruturas locais dos partidos fornecerem as propostas de nomes dos cabeças de lista às eleições autárquicas.
Pelo sim pelo não, José Sócrates sempre vai avisando que terá uma palavra a dizer sobre as apostas concelhias; e Miguel Relvas, secretário-geral do P.S.D., não se coibiu de auscultar as sociedades locais, numa inteligente acção que culminou com o “open day”, em que se convidou toda a população a fazer o diagnóstico da sua região – parece evidente que nos concelhos em que o P. S. D. é oposição, os dirigentes nacionais não deixarão de exercer a prerrogativa de impor os melhores nomes, mesmo à revelia das indicações das estruturas de base.
No PSD as coisas parecem claras. Incontestada que foi a eleição de Ana Manso para a Comissão Política Distrital, a sua candidatura será inevitável, pois uma não candidatura seria tida como um gesto de fraqueza. Claro que a responsabilização política não deixará de ser feita, como ficou claro na reunião de militantes de Celorico da Beira: candidatando-se, Ana Manso será responsável pelos resultados eleitorais; não se candidatando, a líder partiria para as eleições já parcialmente derrotada!
Menos consensual parece ser a situação no Partido Socialista, com a proximidade de Joaquim Valente ao recém-eleito secretário-geral do PS. A imposição por Lisboa daquele nome pode gerar fracturas difíceis de ultrapassar nas estruturas locais.
Num e noutro partido a maior preocupação será concerteza a unidade das hostes partidárias, que só pode ser conseguida à custa de gestos efectivos, mais do que de discursos de boas-vontades. E se no Partido Socialista se aguarda o resultado das negociações internas, no PSD têm sido absolutamente surpreendentes os avanços e os contactos: sendo já conhecida a inesperada aliança de Marília Raimundo, não deixou de ser estranha a notícia do jantar de Ana Manso com o empresário José Gonçalves. Vejamos até onde vai este esforço de união…
Em todo o caso o risco de divisão partidária permanece como traço distintivo das próximas eleições. Risco a que não será alheio o PP, agora que ao voluntarismo dos dirigentes acresce o trabalho de contacto com as populações, não sendo por isso estranho que este partido apresente listas em diversas freguesias, podendo ambicionar a significativos resultados eleitorais.
Do lado do PSD é única a oportunidade de ganhar a Câmara da Guarda, a confirmar-se a não recandidatura de Maria do Carmo Borges, personalidade que, diga-se em abono da verdade, é quase imbatível. Conseguida a referida unidade partidária, restará à Dra. Ana Manso uma última condição para ganhar a Câmara da Guarda: concretizar a promessa, ainda este ano, de construção do novo hospital – e não deixa de ser curioso verificar como um benefício aclamado por todos, se transformou num ónus que impende sobre a líder partidária. Pessoalmente, se considerei uma derrota para o PSD aquele equipamento não constar do PIDDAC no ano transacto, hoje não tenho dúvidas de que vamos ter no corrente mês ou no próximo, o novo hospital contemplado no PIDDAC para 2005!
Por: Rui Quinaz



