A Comissão Europeia não terá recebido, «até à data, qualquer pedido do Governo português» para a mobilização do Fundo Europeu de Ajustamento à Globalização a favor dos trabalhadores da Delphi da Guarda, denuncia o PCP.
A situação foi revelada numa resposta à eurodeputada Ilda Figueiredo no Parlamento Europeu e já levou o deputado comunista Bernardino Soares a perguntar à ministra do Trabalho e da Solidariedade Social, Helena André, se confirma a informação. «Que razões invoca o Governo para não o ter feito», questiona o parlamentar, para quem, se se confirmar, «esta situação é da maior gravidade dada a escassez de alternativas na região para os trabalhadores que perderam o seu posto de trabalho». Poucos dias após o fecho definitivo da fábrica de cablagens da Guarda-Gare, no final de Dezembro de 2010, deixando mais 318 pessoas sem trabalho, aquele ministério divulgou um comunicado onde garantia que «o IEFP já tinha decidido apresentar uma candidatura ao Fundo Europeu de Ajustamento à Globalização (FEG)».
Na altura, a tutela esclarecia que, «de acordo com as regras do FEG, só agora estão reunidas as condições necessárias para a submissão do projeto, uma vez que a candidatura deve identificar todos os trabalhadores desempregados na sequência do processo de encerramento». Esta posição foi conhecida após Álvaro Amaro, líder da distrital do PSD, ter estranhado a demora do Governo em ativar um pedido de ajuda solicitado anteriormente para os desempregados da Qimonda, em Vila do Conde. «Os despedimentos destas pessoas na Guarda tiveram graves repercussões no emprego e na economia local, resultado que chega e sobra para que o Governo possa e deva recorrer a esse Fundo e consiga, por essa via, arranjar compensações monetárias que trabalhadores despedidos de outros países também conseguiram», declarou na altura o social-democrata.


