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Gosto-te tanto

Bilhete Postal

Na minha busca permanente por conceitos e palavras definidoras deles encontro este verbo gostar transfigurado numa afirmação que fica antes do amor e a par da paixão, mas sem o calor e o desejo que vai naquela. Eu olho alguém que me faz sentir feliz, alguém que nos agrada ouvir, que nos amanhece na ideia como um lugar de visita e penso que devo dizer-lhe? Amo-te é demasiado cheio e conotado. Estou apaixonado não é verdade sempre porque, às vezes, encontramos amigos do mesmo sexo que nos fazem sentir plenos e agradados, sem que as horas nos perturbem. Fui ver o “Match Point”, do sempre surpreendente Woody Allen, e fiquei admirado com aquelas relações todas. Ele tem paixão pela loira e não ama a mulher. Ele é completo na relação com a família que o projecta para um universo melhor e completa-se no sexo com a loira. Ama o bem-estar da família e não deitaria o Euromilhões ao lixo. Então, que sente ele realmente pela doce, educada e culta mulher? Se o mundo o permitisse sem dor devia dizer-lhe “gosto-te muito”. E não estava a mentir. Este conceito de escadas para o amar é muito interessante e justificaria amar mais que uma pessoa. Porque é possível amar mais que uma pessoa e, por essa razão, há quem tenha quatro esposas e quem seja feliz em relações pontuais. Assim, proponho a expressão “gosto-te muito”, se é que me faço entender.

Por: Diogo Cabrita

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