Torradinhas de azeite e pasta de azeitona com carpa fumada, morcela doce com laranja e salada de pombo bravo com frutos secos e mel, para entrada. De seguida lagarada de bacalhau e um surpreendente gelado de azeite. Mas há mais. Perdiz em vinho do Porto com amêndoas torradas. Tudo regado com bom vinho do Douro e das Beiras, enquanto um delicioso doce de ovos e uma fatia de bolo de chocolate fecham um repasto acompanhado por uma agradável paisagem e a actuação do grupo de música tradicional portuguesa de Pinhel. Foi com este “manjar dos deuses”, servido no “Lagar”, em Escalhão, que terminou a III edição das Jornadas Gastronómicas Transfronteiriças.
«Pretendemos romper as fronteiras através da gastronomia», garante Arelindo Farinha, vice-presidente da Câmara de Figueira de Castelo Rodrigo. O objectivo da iniciativa é dar a conhecer os sabores portugueses e provar a comida espanhola. Esta permuta surge no seguimento da I Feira Gastronómica de Figueira de Castelo Rodrigo, realizada em Agosto de 2004, por iniciativa do município local. Entretanto alguns dos restaurantes participantes (O Lagar, o Arco Íris e a Estalagem Falcão de Mendonça) estenderam o convite aos restaurantes espanhóis vizinhos e assim nasceram as Jornadas Gastronómicas Transfronteiriças da Comarca de Abadengo e do concelho de Figueira de Castelo Rodrigo. «A Câmara serviu apenas de apoio à divulgação», acrescenta o vice-presidente, que faz um balanço «bastante positivo» da iniciativa. Não só pelo «grande número de espanhóis», como pelos «muitos portugueses» que vieram provar estas iguarias, acrescenta. Desta vez, «tentámos ligar a parte cultural à gastronomia», frisa Arelindo Farinha. Durante cerca de um mês, todos os fins-de-semana foram pretextos para experimentar bons pratos gastronómicos, de um e do outro lado da fronteira, acompanhados pela actuação de grupos musicais ou por exposições de pintura e escultura.
«O que também contribuiu para o sucesso das Jornadas», considera. Para a próxima edição serão preciso mais restaurantes, «nomeadamente, do nosso lado», espera. Mas também a componente cultural e turística «não pode ser descurada, pois deve estar sempre interligada com a gastronomia local», diz, sublinhando que «há receitas da região que estão esquecidas e que parecem pobres, mas podem tornar-se nuns pratos ricos e saborosos».
Azeite à sobremesa
A novidade deste ano foi o gelado de azeite. Durante seis meses, e depois de muitas noites sem dormir, Cristina Gomes conseguiu juntar a água e o azeite, entre outros ingredientes, que deram origem ao gelado. «A primeira vez que saiu bem foi no domingo passado», confessa. A cozinheira e gerente do restaurante “O Lagar” propôs-se fazer esta investigação gastronómica, uma vez que o azeite é um produto tradicional da região. «Deve aproveitar-se todos os recursos locais», considera, mas juntar água e azeite «é que foi complicado», admite, explicando que teve que estudar várias técnicas sobre a feitura de gelados caseiros. «Agora, não vou é revelar o segredo», defende-se. Só no domingo passado foram servidos 1.500 gelados, mas na segunda-feira já tinha sido contactada por espanhóis para repetir o mesmo menu. «Parece que gostaram. De uma maneira geral, toda a gente gostou do gelado e muitos ficaram surpreendidos com o novo sabor», diz, satisfeita, Cristina Gomes.
Patrícia Correia



