A neve tardou, mas chegou. A tempestade “Ana” trouxe o primeiro nevão à Serra da Estrela e assim que os primeiros flocos de neve foram notícia começou a correria à subida ao ponto mais alto de Portugal continental, contrariada inicialmente pelo habitual fecho de estradas em situações similares.
Mas era dos turistas que os proprietários dos estabelecimentos estavam à espera. Luís Alexandre, responsável pela Casa do Clube Tapas & Wine Bar, admite que o início de época foi «muito mais fraco» do que em 2016. «Em novembro do ano passado já tinha nevado», recorda o empresário, acrescentando que este ano «notou-se uma diminuição» de afluência. Ainda assim, com a Serra da Estrela coberta por um manto branco, as expetativas são elevadas e o responsável espera que «a neve se mantenha». Mas a serra é muito mais do que neve, diz David Timóteo, proprietário da Varanda da Estrela. «Infelizmente, ainda há aquele mito que a Serra da Estrela depende da neve», lamenta o responsável, acrescentando que «trabalhamos diariamente para acabar com a sazonalidade». Quanto à ausência de procura, David Timóteo sublinha que, «a nível de restaurante, não temos notado», mas no alojamento «houve uma pequena quebra».
Por agora, as expectativas são que com a queda da neve «a procura dispare» e o proprietário da Varanda da Estrela garante que no Natal já têm as quatro casas todas ocupadas. Também os amantes dos desportos de inverno já podem subir ao ponto mais alto de Portugal continental, embora a «cota de neve não seja muito significativa no topo do maciço central porque tivemos muito vento», segundo o diretor-geral da estância de ski da Serra da Estrela. Neste momento, estão a funcionar duas pistas, sendo que as restantes serão abertas à medida que for nevando e que a cota de neve o permita», adiantou Carlos Varandas. «Quero acreditar que vai haver mais queda de neve», sublinha o responsável, acrescentando que isso seria fantástico tendo em conta que este sábado «se inicia o período de férias de Natal».
Carlos Varandas lembra ainda que a abertura de mais pistas «não depende de nós», mas sim da precipitação. Se ela não chegar, o responsável pede a São Pedro que «nos beneficie com temperatura baixa e menos humidade». Com a queda de neve o aumento da afluência já é visível e Carlos Varandas diz que no escritório da Estância as chamadas quintuplicaram. Devido à neve que caiu na noite de domingo, os troços Piornos/Torre, Torre/Lagoa Comprida, Lagoa Comprida/Loriga e Lagoa Comprida/Sabugueiro estiveram interditados à circulação rodoviária e só reabriram na manhã de terça-feira.



