Muita coisa pode servir de inspiração, quando o assunto é tocar quem nos ouve. No caso dos First Breath After Coma, a lufada de ar fresco de que precisavam saiu-lhes, precisamente, do sentimento de estagnação em que se encontravam quando começaram a compor as próprias músicas. Deram de caras e ouvidos com o post-rock durante esse processo e o nome da música de 2003 dos americanos Explosions in the Sky afigurou-se-lhes como a mais descritiva da espécie de coma induzido em que estavam.
O quarteto leiriense (Roberto Caetano, Rui Gaspar, Pedro Marques, Telmo Soares) começou como uma banda de covers, mas as influências de Sigur Rós, Radiohead, The Cinematic Orchestra, Mogwai e os já citados Explosions in the Sky, entre outros, rapidamente lhes revelaram o seu registo próprio, que assenta em estilos alternativo, indie e post-rock. Os próprios definem a sua música como um “post-rock cantado”.
O álbum de estreia, “The Misadventures of Anthony Knivet”, composto por nove canções, foi pensado e inspirado na história do explorador inglês do século XVI. “Escape” foi escolhido como single de apresentação pela banda de Leiria, que assina pela Omnichord Records. O ecoar de versos (“skipping on time/skipping on time/skipping on time/and we’ll collide”) depressa se infiltra nos ouvidos e transporta-nos para o ritmo em crescendo da música, que queremos acompanhar, como se de uma maratona se tratasse. A abrir o disco temos “Shoes For Man With No Feet”, na voz rouca de Roberto Caetano, e a primeira associação a Explosions in the Sky. “Dead Men Tell No Tales” apresenta um registo mais pop, lembrando os primórdios dos Coldplay, onde sons da natureza fazem-se acompanhar de guitarras melancólicas, assim como a quinta música do álbum, “Knivet”, num registo anos 80, marcada pelos sintetizadores e por uma voz que vai desaparecendo no ar, à medida que nos embala.
A fechar o disco, “Almadraba”, com quase seis minutos de duração, é como um percurso à beira-mar, mas podia também ser um passeio pelas redes emaranhadas da vida.
Lançado em Novembro de 2013, gravado, misturado e produzido por João Santos e masterizado por André Neto, a dois meses de fazer um ano, o disco continua, no entanto, fresco e intemporal. “The Misadventures Of Anthony Knivet” é uma mostra do bom que se faz em Portugal, e ainda bem que acordámos a tempo de conhecer este projecto.
Fernanda Fernandes*
* Mestranda em Comunicação e Jornalismo na Universidade de Coimbra
** A autora optou por não escrever ao abrigo do novo acordo ortográfico


