O Festival de Artes Performativas da Beira Interior está na recta final. Para a noite de hoje está agendada uma performance de Margarida Mestre em três actos (“Fado Afiado”, “I will do it” e “Bloody end”), cada um deles contado através do recurso ao corpo, à voz e a uma guitarra. É uma tragédia falada e cantada que conta com João Lima na guitarra portuguesa, intérprete que é ainda responsável pela música original do espectáculo, cujo texto é da autoria de Margarida Mestre.
Mariquinhas, uma mulher tipicamente portuguesa, empresta ao cenário um tom fatalista visível também nos acessórios presentes em cena e ainda na sua relação com o elemento masculino. Nesta criação, o espectador viaja por sonoridades árabes, jazzísticas e fadistas. Hoje decorre igualmente a terceira e última parte da II Mostra de Vídeo-Dança do Festival Y. A partir das 22h30 pode ver “O Corpo”, do brasileiro Rodrigo Pederneiras (personificado pelo “Grupo Corpo”); e “Rainhas por um dia”, uma coreografia de Marie Nespolo e Christine Kung para um filme de Pascal Magnin, amplamente premiado. “Leitura de listas” é o título de outra performance de Filipa Francisco, que subirá ao palco do Teatro-Cine amanhã à noite. Este espectáculo, em que colabora André Lepecki, foi pensado de forma a diluir a separação entre as noções de “ensaio” e “peça”, tendo surgido após uma estadia de três meses na América.
No sábado é tempo de “Philatelie”. A concepção desta proposta multimédia é de Jorge Andrade, que também interpreta, ao lado de Miguel Rocha e Sérgio Delgado. Os selos assumem o papel principal numa performance onde pessoas das mais diferentes origens e personalidades se juntam para os decifrar, conhecer e classificar. No sábado e domingo realiza-se ainda o “workshop” “Teatro de Objectos”, de Bruno Cintra, enquanto a exposição de Luís Afonso “Sanatório – Espaço sem fim” continua patente na Casa dos Ministros até sábado. O Festival Y termina dia 30, não sem antes decorrer a formação em “Caracterização e Maquilhagem”, por Carla Magalhães.


