A Delphi da Guarda está a enviar trabalhadores para casa por falta de trabalho. Em causa estão a «baixa» em dois «produtos importantes», como são as encomendas da Opel e da Renault. Contudo, o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas e Metalomecânicas dos Distritos de Aveiro, Viseu, Guarda e Coimbra (STIMMDAVGC) acredita que a situação vai ser ultrapassada e que não motivará despedimentos, pelo menos, até Dezembro de 2009.
De acordo com Júlio Balreira, coordenador do STIMMDAVGC, «há um conjunto de trabalhadores, cujo número não conseguimos especificar, que estão em casa há vários dias». O número exacto de operários afectados não é conhecido, já que «não são sempre os mesmos a ficar em casa», acrescentou. O dirigente sindical disse ainda que esta situação já se verifica «há algumas semanas», tendo começado «logo após o mês de Agosto e o período de férias», com número «mais reduzido» que tem vindo a aumentar nos últimos dias. Contudo, Júlio Balreira garantiu que, «até agora», os trabalhadores «não sofreram qualquer penalização por esse facto», ou seja, o seu vencimento «não está a ser afectado». Nesse sentido, o dirigente do STIMMDAVGC diz-se confiante de que esta situação «é pontual» e que «não afecta o futuro da empresa», acreditando que a manutenção dos 500 trabalhadores até Dezembro de 2009 «continua garantida», como ficou selado num compromisso assinado entre o sindicato e a administração da Delphi.
Admite, no entanto, que está preocupado com o cenário vivido actualmente na empresa da Guarda, uma vez que é «indiciador de problemas». Por isso, o sindicato promete «acompanhar com atenção o desenrolar da situação». Recorde-se que, no fim de Julho passado, o anúncio da deslocalização da Roménia de uma encomenda de cablagens para uma carrinha da Opel foi recebido com muito agrado na cidade, uma vez que permitia adiar os despedimentos até final de 2009. «A administração comunicou que 400 pessoas têm trabalho assegurado nessa linha de produção até Dezembro do próximo ano. Depois, é uma incógnita, porque a intenção de dispensar pessoal mantém-se se não houver encomendas», adiantou na altura o delegado local daquele sindicato. José Ambrósio, igualmente membro da Comissão de Trabalhadores da empresa de cablagens, falou mesmo «num grande alívio para os funcionários, que estavam em risco de ser dispensados». Assumiu ainda o empenho dos trabalhadores para que a unidade permaneça «uma referência para o grupo Delphi e também uma fábrica de excelência».
Ricardo Cordeiro


