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“Estou que não posso”

Saliências

Estou assim pela oposição que não consegue melhor performance que algumas arrufadas. Estou assim porque não vejo soluções para o Universo SA da saúde. Estou assim porque vinga a traição, os empregos de favor, o pé de cabra para a ascensão e voltou a via vaginal para o sucesso. E será que podem acabar? Claro que não. Mas podem sempre ser balizadas numa lógica credível. Entendo que a melhor maneira de se encontrar um emprego é por mérito e logo por concurso. Entendo que a melhor maneira de levarmos o sucesso aos nossos projectos é termos os melhores, os mais qualificados e os mais trabalhadores. A inteligência e a lisura deviam ajudar. Há pouco havia um hospital distrital onde o número de assessores e de novos administradores sem carreira e sem curriculum tinha ultrapassado o impensável. Depois, vieram os que nem cursos tinham, substituir aqueles que sabiam das matérias. “Estou que nem posso” dos licenciados que não conjugam correctamente os verbos. Dos que dizem “de que”. Dos políticos que se deixam apanhar pelo telemóvel e pelo telefone. Dos dirigentes desportivos que se pensavam intocáveis. Todos uns néscios e uns bandalhos descuidados. Até para roubar é preciso arte e saber. “Estou que nem posso” das feiras de livros que são mais alfarrábios que feiras. Quereis velharias? Vão à feira do livro. Pobres editores que não programam lançamentos durante os grandes eventos e as grandes feiras. Os livros científicos então são mesmo os mais velhos e os menos interessantes. Estou que não posso com tanta estupidez e por isso até estou com os pés de molho. Disseram-me que este azedume é dos calos. Não tenho, mas previno.

Por: Diogo Cabrita

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